Coluna do Zé

Coluna do Zé: O “Shough” vai começar

Jose Eduardo Zanon
Jose Eduardo Zanon 12 set 2026 · 7h atrás

Salve, torcedor dos Saints!

Neste domingo, dia 13 de setembro, às 14 horas (horário de Brasília), teremos a estreia do New Orleans Saints na temporada, fora de casa, contra o Detroit Lions. Ainda bem que setembro sempre chega.

A temporada 2026 da NFL já começou (escrevo esse artigo na manhã de quinta-feira, depois da vitória do Seattle Seahawks sobre o New England Patriots), e temos um jogo muito difícil pela frente, com um time que vem sendo consistente nos últimos anos (apesar da última temporada), com um ataque poderoso.

Na última Coluna do Zé, fiz um breve resumo barra retrospectiva da offseason dos Saints. Aqui, eu venho comentar sobre o que eu acredito que venha pela frente nesta temporada.

Lembrando que é a minha opinião de não-especialista, uma opinião de torcedor que se ilude fácil. E sim, aqui eu não sou imparcial.

Manutenção de direção?

O New Orleans Saints chega para a temporada de 2026 da NFL em um cenário de renovação e um otimismo (anormal, eu diria) que a franquia não experimentava já tem algum tempo.

Sob o comando do treinador principal Kellen Moore, em seu segundo ano na função, a equipe da Louisiana parece ter encontrado uma direção a seguir. Saudades de Dennis Allen? Alguém? Ninguém.

O treinador principal, Kellen Moore, e o coordenador defensivo, Brandon Staley, vão para seu segundo ano no comando do New Orleans Saints (Derick E. Hingle / NewOrleans.Footbal)

A temporada de 2025 foi uma verdadeira montanha-russa, mas de tudo o que aconteceu, os Saints encontraram no quarterback, então calouro, Tyler Shough, uma ponta de esperança de dias melhores (ah, me perdoem o trocadilho do título da coluna, eu sei que se diz “Xó”). O desempenho de Shough na reta final não apenas salvou o trabalho da comissão técnica, dando mais uma oportunidade a Moore e companhia, mas também estabeleceu um caminho e uma nova identidade ofensiva.

O general manager Mickey Loomis não fez besteira no Draft e ainda buscou reforços pontuais na free agency, algo que não é muito comum, quem acompanha há de concordar, e o elenco agora reflete mais a visão de Moore sobre o ataque.

O quarterback Tyler Shough (6), aqui indo anotar um touchdown contra os Buccaneers, na temporada de 2025 (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Não que o time agora seja o principal candidato ao Super Bowl, mas para brigar por uma vaga nos playoffs, opa, com certeza. E a partir disso, quem sabe?

Finalmente um ataque eficiente?

Toda expectativa sobre o New Orleans Saints para 2026 gira em torno da afirmação de Tyler Shough como o franchise quarterback. Shough já teve bons jogos como calouro, em uma competição pela titularidade com Spencer Rattler, e ele assumiu a posição com personalidade. A aposta em seu talento se pagou, e Moore já deu início à implementação de suas ideias para o ataque, com muitos passes verticais, leituras em profundidade e um uso inteligente da capacidade atlética de Shough.

Para não sofrer a síndrome do segundo ano, que acomete tantos quarterbacks calouros, o comando dos Saints tentou cercá-lo de talento. O corpo de recebedores é liderado, mais uma vez, por Chris Olave, que só precisa evitar concussões para se estabelecer definitivamente como um wide receiver de elite. Além da renovação com Olave, uma grande notícia foi a seleção de Jordyn Tyson, wide receiver vindo de Arizona State, com a 8ª escolha geral no Draft de 2026. Tyson foi trazido com um propósito claro: ser uma ameaça vertical. Uma pena que Tyson já se lesionou, e deve ficar fora de pelo menos quatro semanas.

O recebedor Chris Olave, saudável, é um dos melhores da liga (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Ainda sobre o ataque aéreo, os Saints também se armaram na posição de tight end. Juwan Johnson continua sendo a principal referência para passes, mas a equipe agora conta com o veterano Noah Fant e selecionou Oscar Delp (vindo da Georgia) na terceira rodada do Draft. Essa profundidade na posição permite a Moore abusar de formações pesadas de bloqueio e passes no meio do campo.

Todo esse potencial aéreo só vai funcionar se a linha ofensiva mantiver o nível. A dupla de tackles do Saints é extremamente promissora. O left tackle Kelvin Banks Jr., que foi muito bem em sua temporada de calouro, e o right tackle Taliese Fuaga, em seu terceiro ano na liga. O interior da linha é comandado pelo center veterano Erik McCoy, com a adição de outro veterano, David Edwards, como left guard.

O kicker Daniel Carlson chegou na esperança de dar consistência aos field goals (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Precisamos, sempre, contar com a sorte de as lesões não limarem esse ataque (mais ainda). Mas, no papel, é um ataque promissor e tem tudo para que Kellen Moore possa colocar em prática suas ideias e o sonho de um ataque (no mínimo) decente pode se tornar realidade.

O futuro do ataque terrestre?

Um dos aspectos mais intrigantes entre as expectativas dos Saints para 2026 é o novo jogo terrestre. Nas últimas nove temporadas, o running back Alvin Kamara tem sido o coração e a alma do ataque de New Orleans. Recordista de pontos, recordista de touchdowns. No entanto, entrando em seu décimo ano na liga, a comissão técnica tomou a decisão estratégica de mudar o perfil do backfield. Até porque a renovação de contrato de Kamara foi uma novela. Provavelmente, ele fará a transição para um papel mais situacional, atuando como uma arma em terceiras descidas e saindo do backfield para receber passes, e Kamara é muito bom nisso.

Para assumir o posto de RB1 e ser a principal força do jogo terrestre, os Saints trouxeram Travis Etienne Jr., na free agency. A expectativa é que Etienne traga a explosão necessária em descidas iniciais, já que o esquema ofensivo de Moore exige corredores que tenham paciência para encontrar as brechas criadas pelos bloqueadores, e que possuam aceleração para capitalizar em grandes jogadas. Etienne já demonstrou grande poder de quebrar tackles, e pode ser um encaixe perfeito na estratégia do ataque.

Agora é a vez do running back Travis Etienne Jr. liderar o jogo terrestre (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Os demais running backs do time precisam mostrar serviço e ficar longe de lesões. Kendre Miller e Audric Estime serão importantes em algum momento da temporada e, infelizmente, Devin Neal já está fora da temporada por conta de lesão no joelho. E pode ser que sejam necessários agora, no início da temporada, já que Alvin Kamara está com uma lesão no joelho e deve ficar de fora os primeiros dois jogos.

Uma defesa decente?

Chegamos para 2026, e o coordenador defensivo Brandon Staley tem a missão de transformar a defesa em uma unidade dominante e agressiva, operando a partir do alinhamento base 3-4. Na linha defensiva, o foco tem sido injetar juventude sem descartar a liderança veterana.

A lenda Cameron Jordan continua no elenco para sua 16ª e última temporada, mas agora atua somente em snaps situacionais, o que o manterá com “pernas frescas” para caçar quarterbacks em momentos críticos. O peso do pass rush recairá sobre Carl Granderson e do talentoso Chase Young, no lado forte da linha. O miolo defensivo foi reforçado no Draft com a escolha de segunda rodada Christen Miller (vindo da Georgia), que chega para atuar ao lado de Davon Godchaux, para providenciar os bloqueios de corrida pelo centro. Vamos aguardar para ver como ele se sai.

O linebacker Pete Werner deve ser uma das lideranças da defesa ao longo da temporada (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

A cobertura no segundo nível fica a cargo de linebackers provados, como Pete Werner e Kaden Elliss. Contudo, a minha grande preocupação defensiva está na secundária. Em seu terceiro ano na liga, o cornerback Kool-Aid McKinstry ainda precisa ser menos maluco e ter mais consistência, principalmente agora como defensor principal, liderando um grupo jovem e que é sempre muito acionado por não ser tão confiável.

Brandon Staley já mostrou muita qualidade como coordenador defensivo, mas precisa contar com boas peças no seu tabuleiro. Não quero voltar a ver um ataque muito bom naufragando porque a defesa é uma lástima.  

Nosso garoto suquinho, o cornerback Kool-Aid McKinstry precisa mostrar consistência (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

E lá vamos nós, outra vez?

Aparentemente, 2025 foi uma virada de página. Sai Dennis Allen e o que tinha sobrado dos tempos de Sean Payton, entrou Kellen Moore e novos coordenadores. Mudanças foram feitas, muito há ainda por fazer. Muitos novatos ainda precisam mostrar serviço, alguns veteranos ainda precisam mostrar que tem lenha para queimar.

O New Orleans Saints está em uma divisão fraca, talvez a mais fraca de 2025, e tem a considerada segunda tabela mais fácil para a temporada de 2026. São bons indícios, são bons sinais. Tem tudo para dar certo.

E eu confio. Os playoffs são logo ali.

Enquanto isso, vamos aproveitar, desfrutar de mais uma temporada de NFL, sempre mais curta do que gostaríamos, mas é o que temos. Tudo começa no domingo agora, dia 13 de setembro de 2026, e pode terminar no dia 14 de fevereiro de 2027, no SoFi Stadium, na ensolarada Califórnia. Quem sabe?

Bora, Saints!

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Foto de capa: Elenco reunido em preleção durante o primeiro jogo da pré-temporada (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

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