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Jeff Ireland e sua habilidade em encontrar jogadores que se encaixem ao Saints

Jeff Ireland e sua habilidade em encontrar jogadores que se encaixem ao Saints

Talvez mais do que em outros anos, Jeff Ireland e o New Orleans Saints estavam procurando no draft por jogadores que chegassem jogando em alto nível.

Não, Ireland – general manager assistant e diretor do departamento de scouting do Saints – não estava querendo deixar de lado outras características que os Saints procurava em prospectos. Não adianta muita coisa se o prospecto pode “chegar chegando”, mas não souber “onde chegar”.

Mas, sabendo que não haveria intertemporada devido ao COVID-19, Ireland e seus scouts sabiam que a mentalidade das escolhas do draft deveria ser aguçada a ponto de estarem em um bom nível rapidamente e se colocarem em condições de contribuir como calouros.

Então, quando o Saints escolheu o center/guard de Michigan, Cesar Ruiz, (primeira rodada), o linebacker de Winscosin Zack Baun e o tigh end de Dayton Adam Trautman (terceira rodada); e o quarterback de Mississipi State Tommy Stevens (sétima rodada) no draft, foi com o pensamento de que não eram apenas as melhores escolhas posicionais, mas também que se ajustariam rápido e já contribuiriam para o time.

“Nossa filosofia chegando ao dia do draft, e parte da conversa que tivemos ao nos reunir, era de que não haverá OTAs (treinos organizados de preparação), não haverá um programa na offseason para estes novos jogadores – jogadores recém chegados, calouros – então precisávamos ter certeza de que estávamos recebendo o tipo certo de pessoa, que possa passar por cenários não tão favoráveis de treinamento e contribuir rápido”, disse Ireland.

“Se questionássemos o quão rápido o garoto aprende, se ele aprendesse lentamente, pensamos que poderia ser difícil colocá-lo a par das jogadas tão rápido quanto precisamos sem os OTAs, minicamps e todo o programa de intertemporada que faríamos com o jogador. Então demos prioridade a qualidade em detrimento da quantidade. Esses quatro jogadores “gabaritaram” nossos quesitos. Nós sentimos que o melhor caminho para nosso roster estava mais claro com estes jogadores.”

Não há muita dúvida de que Ireland e a equipe de scouting foram bem sucedidos com esta ideia de processo.

Desde 2015, das 21 escolhas do Saints no draft que iniciaram ao menos uma partida pelo time, 16 permanecem no roster atual. Ireland e a equipe de scouts do college tem encontrado jogadores que se encaixam no perfil do Saints.

“Eu confio neles plenamente,” disse ele sobre a equipe de scouting, “Você tem que confiar. Você tem que ser um bom ouvinte na minha posição, pois receberá informações voando de milhões de ângulos diferentes e tem que ser capaz de processá-las, de entender o que é importante.

“Você precisa ter continuidade em seu staff para saber que esse cara, ele é um pouco mais duro na composição (de bom jogador), ou talvez ele não seja tão duro quanto meu cara da costa oeste, ou o que seja. Talvez ele seja um CDF, ou talvez este cara seja um estudante menos aplicado. Você precisa saber entender de onde o jogador está vindo, a continuidade é importante e você tem que confiar nestes caras.

“Esses caras estão lá na estrada – eu mesmo fico um bom tempo na estrada – mas eles estão muito mais na estrada do que eu. Eles estão na comunidade de scouts, há uma irmandade na estrada e assim todos meio que conversam. Nosso negócio é coletar informações e não divulgar, mas acredito que nosso time de scouts faz um trabalho inacreditável coletando informações.

“E se houver rumores, eles vão verificar estes rumores. Eles têm que lidar comigo, pois eu ouço muitos rumores e eu reviro tudo para saber o que é verdade e o que não é. Estou constantemente acessando eles, por mensagens de texto e e-mails: Você pode checar isto? Você pode verificar aquilo? Quem é este cara? Tenho este vídeo de 5 minutos deste garoto no YouTube; isto é real ou é fabricado? Então você precisa confiar muito neles.”

Este ano, o fator de confiança teve de ser mais alto ainda, devido ao tempo reduzido com os jogadores (sem pro days em Março, sem vistas a prospectos em Abril).

“O que você está tentando fazer este ano na realidade, é reduzir a margem de qualquer tipo de falha que possa ter em um jogador”, disse Ireland. “É o que se está tentando fazer com cada um dos jogadores, mas com os três jogadores que selecionamos na primeira e terceira rodada, nós especificamente vimos esses caras várias vezes, muitas vezes ao vivo.

“Você definitivamente está tentando reduzir sua margem de erro e, quando temos uma margem para uma potencial falha, nós temos que trabalhar um pouco mais com este cara para garantir que ele se encaixe em nossos critérios.”

Ireland disse que adota uma abordagem cautelosa em dar nota para a classe escolhida em um draft.

“Com certeza não 24 horas depois do draft,” ele disse. “Demora um pouco. Quando vamos para cima de um jogador, peço para nossos olheiros, nossos treinadores que me deem uma visão do primeiro ano e depois, uma visão de futuro.

“O que esperamos destes jogadores chegando imediatamente para contribuir com nosso plantel no primeiro ano? Ele vai levar 6 semanas para evoluir? Você acredita que ele possa entrar e jogar no special team imediatamente? Ele vai aprender rápido? Ele vai ultrapassar alguns jogadores? Ele é um upgrade? E uma vez que ele é treinado e se sente confortável, quanto mais ele pode evoluir atleticamente seu corpo e sua mente? O que ele pode se tornar?

“Minha visão para cada jogador meio que tem dois estágios. Eu sempre irei avaliar nosso draft após o primeiro ano, e depois avaliá-lo novamente após o terceiro ano, provavelmente.”

Isto abrange os free agents calouros. O Saints encontrou grandes valores para agregar ao time usando este caminho, incluindo o retornador Deonte Harris e o safety J. T. Gray, ambos All-Pros ano passado, no kick returner e special teams.

“Isso remonta à forma com que montamos nosso quadro (lista que os times fazem sobre os recrutas vindo do college),” afirmou Ireland. “Construímos nosso quadro até um ponto em que realmente não nos importamos com o que outras equipes pensam sobre aquele jogador específico. Nos importamos com o como ele se encaixa no nosso time e como este jogador pode entrar e contribuir nessa visão de 2 etapas. Então, construímos nosso quadro, e quando sentimos que um jogador pode estar caindo, ou que um jogador pode chegar na free agency depois do draft, e ele ainda está em nosso quadro, só precisamos confiar em nossos scouts e em nós mesmos que se este jogador está em nosso quadro, é por uma razão.

“Ele (o jogador que está no draft) pode ser tirado do quadro em quatro ou cinco oportunidades, porque muitos jogadores são descartados do quadro por não serem aptos em permanecer no quadro. Nossa primeira reunião em Dezembro, tinha mais de 500 nomes (no quadro), então reduzimos este número para aproximadamente a metade em Fevereiro. Depois diminuímos um pouco mais em Março, cortamos um pouco mais em Abril, e com o quadro em meu escritório, eu vou tirando ainda mais, tenho 100, 120 jogadores no quadro.

“Se você ainda permanecer em nosso quadro do draft após todos estes processos terminarem, então nós acreditamos em você e iremos atrás de você. E aproveitaremos a oportunidade para expandir nosso draft por meio do free agency. Isto foi feito bem por nós através dos anos, e isso é ter uma clara visão do jogador e de entender como ele vai nos ajudar no primeiro ano, como ele fará parte da equipe e qual é sua vantagem para se tornar um potencial titular ou um reserva chave no futuro.”

Traduzido de: John DeShazier

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