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A jovem linha ofensiva do Saints testada diariamente em reuniões online

A jovem linha ofensiva do Saints testada diariamente em reuniões online

Por Katherine Terrell 8 de Junho de 2020

Os técnicos do New Orleans Saints não tinham um desafio tão grande desde o lockout de 2011 da NFL.

Com o improvável retorno às instalações do time até o training camp, os técnicos tiveram o desafio de ensinar tudo pelo computador. Como um técnico mantém jogadores engajados numa aula online, e ainda, como algumas posições podem ser avaliadas sem a experiência de estarem presentes?

The Athletic fará uma série de artigos com os técnicos do Saints durante a pré-temporada. O primeiro: o técnico de linha ofensiva Dan Roushar.

Como o Saints tem trabalhado com seus jogadores sem tê-los em campo?

O treinador do Saints, Sean Payton, mais um pequeno número de jogadores se lembra como foi durante o lockout de 2011, onde houve um desarranjo na pré-temporada e forçou os jogadores a treinarem por si próprios, uma vez que não era permitido o acesso às instalações nem ter contato com seus técnicos.

Há algumas similaridades com o que está acontecendo agora com a pandemia de COVID-19, onde os jogadores podem ter reuniões online com seus técnicos, mas podem não estar seguros treinando sozinhos ou com seus companheiros de time.

Roushar estava no corpo de técnicos de Michigan State em 2011 e por isso nunca havia passado por esse tipo de situação. Ele ligou pedindo conselhos para o ex-jogador do Saints, o right tackle Zach Strief, que agora narra os jogos do time.

“Eu disse, ‘Ei, Zach, eu não estava aqui durante aquele período. Nunca passei por uma situação onde os jogadores não estão presentes por tanto tempo… Que tipo de preparo vocês tiveram que os deixou mais prontos do que os rivais e do que os times que enfrentariam bem no começo da temporada?’”, perguntou Roushar. “Ele compartilhou comigo uma série de coisas que nós não necessariamente precisaríamos seguir, mas enquanto eu ouvia, pensava, ‘Isso, nós podemos fazer cada uma dessas coisas, ou, no mínimo, sugeri-las aos jogadores para que se preparem.’”

O Saints tem feito videoconferências com grupos de cada posição quase todos os dias nas últimas três semanas, sendo algumas reuniões ocasionais com todo o time.

Eles trabalham uma nova parte do ataque a cada reunião, nada muito diferente do que seria se estivessem sentados numa sala de reuniões nas instalações do time. Entretanto, não há como ter os jogadores em campo para executar os conceitos ensinados.

“Nós temos envolvido os jogadores mais jovens e aqueles que chegaram, gastando em torno de uma hora e meia, toda manhã, apresentando a eles nossas instalações”, disse Roushar. “E então nós passamos para aulas sobre o sistema de jogo e usamos coisas que temos em filmagens para consolidar tudo, e realmente isso tem se mostrado um processo interessante devido à nossa incapacidade de trazê-los para dentro de campo, há muito mais comunicação entre ambas as partes.”

A dificuldade das reuniões online, é claro, é manter os jogadores interessados e engajados. Roushar, ou o técnico assistente de linha ofensiva Brendan Nugent, vão instigando os jogadores com questões e situações de jogo. Eles costumam perguntar para Cesar Ruiz, Calvin Throckmorton, ou qualquer outro novato da linha ofensiva como eles agiriam diante de determinada situação.

“Eu estou realmente impressionado com a habilidade dos caras em nos dar boas respostas e até mesmo em nos desafiar, quando as respostas não estão corretas, nós encontramos maneiras de guiá-los naquilo que pensamos ser as decisões corretas e ainda, dar a eles a oportunidade de assistir nossos jogadores e talvez até criticá-los de acordo com o que tentamos passar”, disse Roushar. “Tem sido uma fantástica comunicação de mão dupla.”

Não ter os caras no campo faz diferença?

Técnicos de linha ofensiva às vezes lamentam as restrições de treinos com equipamento nos training camps porque esta é uma das posições mais difíceis de se avaliar sem que haja contato entre os jogadores. O trabalho de pés e o conhecimento do esquema tático e de suas tarefas podem ser ensinados e corrigidos, mas há uma porção de nuances da posição que só vem com a repetição.

Não ter os jogadores em campo apresenta um desafio completamente diferente. Os jogadores podem dizer que entenderam uma instrução, mas os técnicos não terão certeza disso até que possam vê-los. Coisas como timing, ritmo, cadência e química com o quarterback simplesmente não podem ser ensinados via computador.

“Estas são coisas que nós certamente temos que fazer em campo e temos expressado isso para os caras sempre”, disse Roushar. “Cada um dos nossos quarterbacks é único. Por mais que você tente fazer com que sejam iguais, não há nada que substitua trabalhar com Drew (Brees), a começar pelo huddle, onde ele chama as jogadas. Todas as informações que ele fornece tão rapidamente e, em seguida, chegam à linha de scrimmage e, certamente, eles entendem como ele possa ter identificado o que tem que ser feito, dessa maneira ele os direciona, além disso, serem capazes de antecipar a cadência, certamente com o center fazendo o snap rápido e pontualmente, com o restante da linha executando aquilo que desejamos prontamente.”

Ele adiciona: “Eu te diria sobre o ano passado, refletindo sobre o ano passado, houve alguns jogos onde Erik (McCoy) não estava ainda em sintonia com Drew. Isto leva tempo, e certamente você junta isso com a lesão e os jogos perdidos por Drew e de repente (Teddy Bridgewater) é quem assume. Isso representa um desafio único para a linha ofensiva, mas em particular, para o center.”

De certo modo, o trabalho online tem sido benéfico porque os técnicos não estão apressados em estabelecer conceitos antes de ir a campo naquele dia. Agora, há tempo de garantir que todos entendam a lição daquele dia antes de ir para a próxima.

“Você pode certamente apresentar a informação através de uma série de questões, e pelas respostas você sente como foi o entendimento deles por meio de como descrevem a técnica e a tarefa, e o seu entendimento de como as coisas são feitas dentro do sistema de jogo.”

Onde Erik McCoy e Cesar Ruiz jogarão?

Todas as manhãs, sempre que os técnicos de linha ofensiva têm um posicionamento sobre a reunião agendada, eles notam a mesma coisa: Ruiz está sempre logado cedo e pronto pra começar.

É algo pequeno, mas isso diz muito sobre sua maturidade, apesar dos seus pouco mais de 21 anos. O mais importante para os técnicos é que ele faz perguntas inteligentes e profundas durante as reuniões.

“Ele faz um trabalho fenomenal em querer saber o porquê e ele vai fazer este tipo de perguntas”, disse Roushar. “A realidade é que, quanto mais ele entende, melhor ele irá executar. Eu acho que isso reflete muito o grupo como um todo. Isso eu notei de cara. Este é um grupo brilhante no geral, e eu estou impressionado com sua atenção aos detalhes e como se lembram de tudo o que temos feito.”

Se o Saints vê Ruiz como seu novo center titular ou um guard é a grande questão dessa pré-temporada.

“O desafio será nosso, se temos competição e profundidade dentro do roster que estamos construindo”, disse Roushar. “Eu acho que, sem as OTAs (atividades organizadas dos times), o benefício disso e de ir para o minicamp exatamente como estamos hoje, acho que vai acelerar o processo, e se colocarmos Cesar estritamente como center e movermos Erik e vice-versa, estas serão decisões que faremos… Nós vemos valor em Cesar como um jogador de interior da linha. Nós reconhecemos que ele foi um baita de um center nos últimos dois anos em Michigan e nós reconhecemos seu valor nessa área, e eu acho que a decisão está entre o direcionamento de Sean e como nós veremos tomar forma essa coisa de mover Erik e deslocar Cesar e/ou o contrário. Estas coisas serão determinadas à medida que voltarmos para os treinos e atacarmos essa questão.”

Colocar Ruiz como center significaria uma mudança para o hoje titular, McCoy, mas Roushar acha que ele lidaria com isso tranquilamente.

“Ele é um jogador muito inteligente e tem muita força nas pernas, além de ser atlético. São coisas que fazem um bom jogador de imediato. Além disso, o que você precisa saber sobre ele é que ele é muito humilde”, disse Roushar. “Em nossa opinião, ele fará o que acha que é melhor para os interesses do time. Então ele está disposto a fazer o que for, ele é um jogador de futebol que ama estar ali. Certamente será uma transição, jogar de guard é muito diferente de jogar de center se você reparar bem. Quando você começa a pensar em fazer uma proteção simples, você tem guards isolados na proteção sem ajuda com mais frequência, enquanto como center, é mais frequente ter ajuda de um dos guards. Portanto, esse é um desafio único, para quem quer que jogue na posição de guard. E quando você pensa no histórico de Sean aqui, a maneira como ele desenvolveu e construiu esse roster, em todas as vezes que prosperamos tivemos um bom jogo pelo meio, então eu acho que é por aí.”

A adição de Ruiz e a liberação do veterano Larry Warford indicaram que o Saints sentiu que a qualidade do jogo da linha ofensiva caiu. Quando Roushar assistiu aos destaques das linha ofensiva de 2019, ele não viu o mesmo calibre do jogo que viu nos dois anos anteriores.

“Nós temos que fazer um trabalho melhor para jogar em alto nível, e também reconhecemos que Drew está muito, muito confortável com as situações de shotgun. Nós o deixamos diretamente atrás do center na grande maioria das vezes, e eu acho que à medida que pensamos sobre isso temos que fazer um trabalho melhor protegendo este ponto, assim Drew estará constantemente confortável e poderá executar as coisas que ele faz em alto nível.”

“Além disso, nós reconhecemos que temos que jogar em alto nível em qualquer situação que possa surgir. Seja numa descida curta, na linha de gol, com quatro minutos faltando para o final do jogo… Eu apenas sinto, por vários motivos, que no último ano nós não estivemos em nosso padrão de jogo como eu acho que sempre estivemos.”

(Photo of McCoy: Jonathan Bachman / Getty Images)

Traduzido de: theathletic.com

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