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COLUNA DO ZÉ: E lá vamos nós!

COLUNA DO ZÉ: E lá vamos nós!

Por José Eduardo Zanon

Salve, torcedor dos Saints!

Vou começar com uma expressão que gosto e se refere muito bem ao New Orleans Saints: “E lá vamos nós!”. Mais uma temporada se iniciou, e eu não sei você, mas eu não sei explicar a mistura de sentimentos que tive antes, durante e depois do jogo. Foi uma vitória apertada, por 16 a 15, contra o Tennessee Titans, num sufoco que eu não esperava para um primeiro jogo de temporada.

Acordei daquele jeito, já nervoso, mas não era bem nervosismo, tinha mais de ansiedade e vontade de chegar logo às 14 horas. Liguei o preisteichion, joguei pra distrair até o almoço, depois fui arrumar meus times nas seis ligas de Fantasy Football nas quais me meti esse ano, e estava ali, no pré jogo do Red Zone na gringa e na ESPN ao mesmo tempo. Já estava com a camisa preta e dourada número 13 do Thomas desde cedo. Cerveja gelada no copo fresco que ganhei de presente (foram muitas), notebook ligado no jogo dos Saints, um tablet velho ligado no Red Zone da ESPN, TV ligada rodando entre os três jogos que estavam sendo transmitidos ao vivo, e bum, começou.

Quero ver só alegria com o trio Thomas, Olave e Shaheed. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Mas começou mesmo? De verdade?

Se parar pra pensar, não achei que tinha começado. Quer dizer, mais ou menos. O aplicativo supimpa e bacana do DAZN resolveu me dizer que haviam muitos dispositivos conectados (só havia um), e depois que reconectava me derrubava em alguns minutos. Perdi muita coisa, pois esse incentivo às pessoas recorrerem a transmissões piratas incorre em tempo perdido buscando links e furando as várias camadas de propaganda de alguma BET qualquer (não fiz isso, foi um amigo meu quem me disse que é assim).

No pouco tempo que fiquei conectado, consegui ver que nosso ataque estava em problemas. O LT Trevor Penning estava passando por apuros e o pass rush do Tennessee Titans estava causando altas confusões mentais ao nosso novo QB Derek Carr. O ataque não fluiu. Bons passes para o WR Michael Thomas no começo não foram o bastante, e WR Chris Olave estava meio sumido. O jogo terrestre, com o recém chegado RB Jamaal Williams, na ausência de Alvin Kamara (suspenso) e do calouro Kendre Miller (lesionado), não estava funcionando. Não tinha liga, muito pela falta de tempo suficiente para Carr armar um passe. A linha ofensiva estava comprometendo, principalmente pela esquerda (ou seria por cima do Penning?). Nada novo, não é mesmo? Parecia um replay de temporadas anteriores. Aquela sensação de deja vu que veio na interceptação de Carr num passe apressado para o TE Juwan Johnson muito bem marcado no meio do campo.

Mas a defesa estava lá e passou a impressão que só teve jogo porque ela estava lá. Muita pressão no QB do Titans, Ryan Tannehill, que resultaram em sacks e muitos erros de passe. Nosso amado CB Marshon Lattimore adotou mais um filho, cujo nome é DeAndre Hopkins. O WR dos Titans viu Lattimore roubar uma bola das mãos dele, em uma das três interceptações que a nossa defesa fez. Aliás, em uma delas, coisa linda de se ver, Lattimore estava na sideline, substituído por Isaac Yiadom, o ataque de Tennessee reconheceu a troca e foi testar Yadom, num passe longo para Hopkins na linha da endzone, que deu um leve tapa na bola para ela cair no colo do S Marcus Maye. Só alegria desse lado da bola. A defesa deu boa posição em campo para o ataque, que não soube converter isso em touchdown nos primeiros dois quartos. Inclusive, teve o LB Zach Baun fazendo um bloqueio de punt, e o ataque não ter aproveitado a excelente posição de campo, convertendo apenas os três pontos do field goal foi de uma baita frustração.

Never punt! no Superdome (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Isso me fez lembrar que nossa criança que chuta a bola Blake Grupe foi muito bem no seu trabalho, convertendo as suas três tentativas de FG e o extra point, enquanto o psicopata australiano Lou Hedley (Psicopunter ou o Crocodilo Dundee de NOLA, como você quiser chamar – contribuições do Higor e do Irones) manteve muito bem a bola caindo ali perto da endzone rival em seus punts.

Mas foi pouco, o primeiro tempo foi pouco. Pouco que eu vi, literalmente, e pouco que vi do ataque em campo. Fomos para o intervalo perdendo por 9 a 6, num festival de field goals que ninguém merece ver no primeiro jogo da temporada.

Lattimore, Davis, Maye e Mathieu comemorando uma interceptação. Aqui está tudo bem, obrigado. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

No segundo tempo, as coisas melhoraram um pouco. O ataque conseguiu corrigir, de uma certa maneira, a pressão do lado esquerdo da linha, com ajuda de tight ends e running backs no bloqueio, que acabou resultando em mais tempo para Carr poder trabalhar. E com mais tempo, Olavinho (do bem) apareceu e fez a alegria de técnicos de Fantasy Football, com muitas recepções e jardas. Michael Thomas apareceu pouco, mas apareceu bem, Carr comentou no pós jogo que gosta muito da postura do Thomas. Só que precisa soltar a bola pra ele mais vezes, Thomas ficou livre em diversas jogadas. E slant boy é seu forevis. O WR Rashid Shaheed apareceu em duas jogadas mais explosivas, inclusive marcando um TD de 19 jardas perto do fim do terceiro quarto, e foi o suficiente para garantir a vitória.

Daquele jeito. “E lá vamos nós!”, lembra? Quem garantiu essa vitória foi a defesa. Limitou os Titans a apenas mais dois FG no último quarto de jogo, enquanto o ataque não pontuou mais. Não só isso, limitou o trem Derrick Henry a apenas 63 jardas corridas, e Hopkins a 65 jardas aéreas. Isso é muito digno de nota. Mas foi um sufoco. Um sufoco desnecessário, no fim do jogo, para lembrar aos torcedores que “isso aqui é New Orleans Saints, porra!”. Quer moleza? Vai torcer para o time do… do… de quem mesmo?

Comboio para segurar o trem. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Que primeira semana, hein? O Detroit Lions mostrou que não veio a passeio, foi lá em Kansas City e ganhou dos Chiefs de Patrick Mahomes e dos recebedores comedores de pipoca. Times que ninguém esperaria nada, foram lá e ganharam, caso de Tampa Bay ganhando em Minnesota, Las Vegas ganhando em Denver (patotinha do Sean Payton já levantando suspeitas), LA Rams ganhando em Seattle. Alguns passeios, como o de San Francisco em Pittsburgh, o de Cleveland pra cima de Cinci”fake”nnati do novo milionário Joe Burrow, e o atropelo do Dallas Cowboys contra o New York Giants. E fechou a semana 1 com a lesão de Aaron Rodgers na vitória na prorrogação do ex hypado New York Jets para cima do Buffalo Bills com Josh Allen perdido em campo. Uma primeira semana bem impressionante, no meu modo de ver. Quase nada a reclamar dos roteiristas da NFL.

Minha reclamação seria apenas: “Por que fazer o torcedor dos Saints sofrer desse jeito?”. Mais duas semanas de jogos assim e meu coração não aguenta. A pressão arterial vai causar um AVC, preciso procurar um cardiologista (novamente) o mais rápido possível. O ataque precisa melhorar pra gente não sofrer desse jeito, tem peças muito boas (ainda que sem o Kamara), não pode ficar limitado desse jeito, parecendo apático e desanimado. Nossa máquina de jogar futebol americano, Taysom Hill, precisa estar envolvido em mais jogadas (não necessariamente lançando a bola, ok?). Temos pelo menos três bons WR, estamos limitados ainda nos RB por suspensão e lesão, mas não pode ser só isso. A defesa não vai salvar o time em todos os jogos. Eu sei que quem leva menos pontos ganha os jogos, mas existe a opção de fazer mais pontos também, viu, Pete Carmichael?

Se esse touchdown do Rashid Shaheed tivesse valido, a percepção de todos sobre a estreia teria sido melhor, você não concorda? (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Nada de céu, nada de inferno. Apenas Semana 1 da temporada regular. Depois do jogo, tive a sensação de que tudo pode melhorar, e se nada der errado, a tendência é melhorar. Mesmo com o coordenador ofensivo atual. Uma chamada de passe em uma terceira para seis, que resultou num avanço de 41 jardas com Shaheed que sacramentou a vitória, é um avanço grande em relação ao que vimos nas últimas duas temporadas, que mostra que os treinadores tem confiança no QB para executar essas jogadas. O jogo terrestre precisa existir, Hill precisa participar mais, a linha ofensiva precisa dar mais segurança e um pouco mais de tempo a Carr, sim, eu sei, mas tudo isso pode vir rapidamente, com pequenos ajustes. Basta alguém assistir o VT do jogo. Eles assistem, certo? Diz que sim, por favor.

Não precisamos ser mensageiros do apocalipse, mas também não precisamos sentar numa zona de conforto. E eu odeio esses meio termos, de verdade. Mas eu sei que o New Orleans Saints é desse jeito, tanto para o lado bom quanto para o lado ruim. Pensando bem, acho que é normal eu e outros torcedores nos sentirmos frustrados, mas também sei que ali tem potencial. Basta ver o histórico do time. A temporada está só começando, e eu ainda acho que vamos longe, mas muito longe mesmo. Ou não.

E você? O que achou do jogo? Isso mudou suas expectativas com o time? Comente!

Bora, Saints!

Venha me ver falando bobagem e sofrendo com o New Orleans Saints em outros lugares, no antigo Twitter e no Instagram.

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