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COLUNA DO ZÉ: Vitória fácil e difícil

COLUNA DO ZÉ: Vitória fácil e difícil

Salve, torcedor dos Saints!

Assim como na semana anterior, o resultado do jogo contra o Carolina Panthers era mais do que previsível nesta semana 13 da temporada regular. O New Orleans Saints não deu chance nenhuma para a zebra passear no Caesars Superdome e conseguiu uma vitória muito fácil por 28 a 6.

Mas fácil, fácil, mesmo, não foi. Foi mais um jogo difícil de assistir. Nada muito diferente do que previu o nosso Ivan Martins no pré-jogo. Aliás, fica a dica para se preparar para os jogos do Saints. Leia o pré jogo do Ivan e depois ouça o nosso We Dat Podcast da semana, terminando uns 15 a 30 minutos antes do jogo. Vocês vão ficar psicologicamente preparados, o máximo possível, para o que vai vir em seguida.

Não havia muito a esperar, o time continua sendo comandado pelas mesmas peças obtusas na beira do campo de jogo, e guiado pela mesma peça de sinalização utilizada em zonas de obras, acidentes ou situações de alerta, comumente conhecida como cone.

Bem, de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. Nossa expectativas eram baixas, MAS PU(!!) MER(!!)… Que jogo modorrento.

Jimmy Graham comemorando uma recepção importante no fim do jogo
Jimmy Graham urrando em uma recepção importante no fim do jogo, já a torcida urra de desespero mesmo. E que cores lindas tem esse uniforme, hein? (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Ainda bem que eram os Panthers

Deu a impressão que se o time de Carolina fosse o mínimo organizado, como foram alguns times contra os Saints, ele provavelmente teria levado a vitória. Como bem dito por alguns, foi mais uma vitória culposa, quando não se tem a intenção de ganhar.

Mas o Carolina Punthers não é nem minimamente organizado. Aliás, é um dos piores times que já vi. Desde a saída do running back Christian MacCafrey, eles não tem condições de mais nada na liga. E olha que tiveram a primeira escolha do draft de 2023. O quarterback Bryce Young, vencedor de troféu Heisman e tudo mais, tenta lançar a bola por lá, mas tentar lançar a bola ainda é uma expressão muito forte para o que ele faz em campo.

Demario Davis comemorando um de seus dois sacks em Bryce Young. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Defesa indefensável

Foram 36 tentativas de passe para Young, com apenas 13 acertos e 137 jardas. Com esses números, a única chance de Carolina era correr com a bola. E correram bem. A defesa novamente apresentou grandes deficiências para combater o jogo corrido, principalmente porque se tratava, novamente, de um quarterback com capacidade de correr e fazer estrago. Foram 204 jardas corridas, em 39 tentativas. Isso para um time que não conseguia lançar a bola.

Um dos poucos destaques positivos, na minha opinião, foi o cornerback Paulson Adebo, que fez uma corrida incrível para impedir um touchdown de quase 50 jardas, parando o running back Miles Sanders na linha de 1 jarda na red zone. Com isso, a defesa conseguiu impedir o touchdown, e é um dos motivos para os Punthers terem marcado apenas 6 pontos na partida.

O linebacker Pete Werner também merece um destaque pelo fumble recuperado no primeiro quarto, num sack muito divertido que abriu o caminho para o primeiro touchdown do jogo. Que não veio, diga-se de passagem (“Não vai dááááááááááá! Seus oreiudo!” – Craque Neto).

Mas o principal mérito da defesa de New Orleans era o ataque de Carolina. Foram quatro sacks e oito chegadas (hits) no “jovem” quarterback (Entendeu o trocadilho? Hã? Hã?? – peço perdão por isso). Foi um festival de tentativas frustradas para quarta descida resultando em turnover on downs, o que facilitou a vida do ataque dos Saints. E punts. Muitos punts. Afinal de contas é o Carolina Punthers, ora essa.

O jogo todo deu a impressão que a defesa dos Saints esqueceu como se faz um tackle. Até Deusmario Davis perdeu um tackle de forma vergonhosa. Acontece até com os melhores, pois é.

Só em galera para parar o jogo corrido dos Panthers. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

A defesa, que era o forte do coordenador defensivo Dennis Allen, não parece a mesma sob a batuta do head coach Dennis Allen. Nem isso está mais dando certo. De ser uma das defesas TOP 5 contra o jogo corrido, a defesa passou a ser uma mãe para running backs e quarterbacks adversários.

Ataque de nervos

O ataque continua lastimável. E parece muito pior com as ausências de Taysom Hill, Rashid Shaheed e Michael Thomas. Foram 21 pontos para o ataque, mas 14 desses pontos vieram apenas no quarto quarto, quando o jogo já parecia um grande garbage time (outra vez!). Os Saints tiveram a posse da bola por apenas 25 minutos e 11 segundos, no jogo contra o pior time da NFL. Como não ficar feliz com esse time, não é?

Apesar de Derek Carr ter lançado dois passes para touchdown, estes vieram quando o time de Carolina já estava desesperado e em seguida desiludido. Carr lançou para (nada) incríveis 119 jardas em 18 passes completos em 26 tentativas. E foi interceptado uma vez, por Jaycee Horn, no segundo quarto.

Alvin Kamara sempre dá um jeito de marcar o seu touchdown e aumentar suas já incríveis marcas. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

O running back Alvin Kamara continua sendo efetivo, dessa vez com muita ajuda de Jamaal Williams, e fez o primeiro touchdown do jogo, já no segundo quarto. Mas quando o jogo terrestre parecia estar fluindo bem foi quando a comissão técnica decidiu parar de usar. Teve uma jogada, em terceira para duas jardas, no terceiro quarto, que era só correr com Kamara ou Williams, estavam indo bem. Mas foi uma tentativa de passe, que nem ocorreu. Carr segurou a bola demais e foi sackado novamente.

Esse momento gerou uma treta entre o center Erik McCoy. Carr gritou com Cesar Ruiz, culpando a linha ofensiva (OL) por mais um sack, e McCoy saiu em defesa de Ruiz e da OL, e quase voou no pescoço de Carr. Uma parte da torcida ia gostar disso.

A linha ofensiva poderia fazer um trabalho melhor? Sim, é óbvio. Mas Derek Carr segura demais a bola, e não tem como segurar todo mundo o tempo todo sem fazer falta. Aí o mané toma um sack e levanta gritando com os jogadores da linha ofensiva. A discussão foi feia, McCoy que geralmente é calmo ficou muito nervoso e precisou ser contido por James Hurst.

Por um lado isso é bom, mostra que ainda tem jogadores vivos nesse ataque, com sangue nas veias. O motivo da altercação continua sendo uma aberração, mas a culpa das jogadas serem chamadas erradas é do coordenador ofensivo. E Carr precisa ser mais efetivo, mais rápido, e parar de querer culpar todo mundo o tempo todo.

Jimmy Graham e a saudade que mata

O recebedor Chris Olave teve uma partida apagada, graças à falta de jogo aéreo decente dos Saints, mas conseguiu anotar um touchdown, já no fim do jogo. O recebedor com mais jardas foi A. T. Perry, com 44 jardas no único passe que recebeu em toda a partida.

Já o kicker Blake Grupe errou a única tentativa de field goal da partida. Nem é novidade. A novidade é que agora ele erra no começo da partida. No primeiro drive do time, para ser mais preciso.

O gigante Jimmy Graham indo lá no alto buscar uma recepção que salvou o fim do jogo. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

E como no último jogo, mais uma vez aparece o tight end veteranaço Jimmy Graham, com uma recepção para touchdown, no último drive ofensivo dos Saints na partida, colocando números finais no placar. Isso não faz você questionar também o por quê dele simplesmente não ser mais utilizado?

Para mim, é mais um sinal claro de ser um time mal treinado, que subutiliza todas as excelentes ferramentas que tem no elenco. Claro que Graham não está mais no auge, longe disso, mas na época que ele foi bem treinado, era uma máquina demolidora, convertendo muitos touchdowns e primeiras descidas. Que saudades da época de quando o New Orleans Saints tinha comissão técnica decente. Ah, aquele ataque do começo dos anos 2010…

Jamaal Williams está tendo o seu potencial muito desperdiçado. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Never punt!

Para não deixar de lado, é necessário comentar o segundo touchdown do jogo. Como é bom poder gritar Never punt! no Superdome outra vez. É raro, mas acontece muito. E melhor ainda se for o Carolina Punthers. No segundo quarto do jogo, o linebacker Nephi Sewell voou e tirou a bola antes que o punter Johnny Hekker conseguisse executar o chute, e o linebacker D’Marco Jackson recuperou a bola e retornou para a endzone. Foi uma jogadaça que fez explodir o Superdome, com pouco menos de 5 minutos restando no relógio.

Nephi Sewell fazendo a torcida gritar Never punt! no Superdome. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Uma pena que toda a empolgação gerada pelo bloqueio de punt morreu logo em seguida, quando o ataque voltou a ser aquela depressão de sempre. A torcida no Superdome está vaiando cada vez mais, e cada vez mais forte.

Estão vaiando as chamadas patéticas. Estão vaiando as execuções pífias. Derek Carr é o alvo principal, mas não é só ele. A comissão técnica não está sendo poupada.

Uma festa incrível no Superdome com o bloqueio de punt e o touchdown. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Vida triste que segue

Comissão técnica que dá pinta que não será trocada. Talvez, apenas o coordenador ofensivo Pete Carmichael seja trocado, mas provavelmente ele deve pedir pra sair e se aposentar, para evitar ser demitido. E assim, fica de bode expiatório, e Dennis Allen e sua carreira de derrotas como técnico principal vai seguir em New Orleans.

Essa vitória marcou a vitória de número 200 da era Mickey Loomis como general manager dos Saints. E comemoraram isso no vestiário, como se tivessem ganhado do melhor time da NFL, e não do pior time. E a vida vai seguir. Se o New Orleans Saints fosse uma instituição séria, ele também deveria sair, junto com Dennis Allen e quase toda comissão técnica. Mas isso não vai acontecer.

Muitas vaias em vários momentos do jogo foram ouvidas no Superdome. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Times ruins perdem

Enquanto isso, os Saints vão seguir sendo um time ruim. E times ruins sempre dão um jeito de perder no final. E digo isso depois de assistir os dois jogos do Monday Night Football dessa semana 14. Tanto o New York Giants quanto o Tennessee Titans deram um jeito de entregar o jogo nos últimos minutos. Esses são times ruins.

Só que eles não contavam com a ruindade de Green Bay Packers e Miami Dolphins, respectivamente, que resolveram entregar ainda mais a paçoca e conseguiram perder o jogo nos últimos instantes. Eu assistindo os dois jogos com o controle remoto na mão, enquanto preparava a mamadeira dos gêmeos, fez a minha noite valer a pena, de tanto que dei gargalhada.

Isso mostra o quão ruim são os times que conseguiram perder para o New Orleans Saints nessa temporada. E o quão ruim é o New Orleans Saints, que conseguiu perder para alguns times muito ruins nessa temporada, incluindo os Packers.

Se não fosse o talento de playmakers como Kamara, os Saints estariam muito pior. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Não é à toa que a divisão sul da NFC está com três times ruins empatados em primeiro, com 6 vitórias e 7 derrotas. Tampa Bay Buccaneers, Atlanta Falcons e New Orleans Saints disputam pra ver quem é o menos pior dos três, e por enquanto essa é a ordem de classificação.

E o próximo jogo é contra o New York Giants, novamente no Caesars Superdome, num jogo que tem tudo pra ser bom. Porque tem muito duelo entre times ruins que é bom, de tão tiroteio que pode ser.

Dito tudo isso, mais uma vez, a gente fica passando raiva e se sentindo frustrado, semana após semana. Mas vamos lá. Domingo tem mais.

Bora, Saints!

Foto da capa: Chris Olave entrando na endzone já quase no fim do jogo. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Venha me ver falando bobagem e sofrendo com o New Orleans Saints em outros lugares, no antigo  Twitter e no  Instagram.

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