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Crônicas em Preto e Dourado: Não Durma, Caçador!

Crônicas em Preto e Dourado: Não Durma, Caçador!

A chuva fina que caiu durante todo o dia naquela parte da savana africana, mas resolveu dar uma trégua à noite. A temperatura estava agradável e a fogueira acesa no acampamento não tinha o intuito de aquecer, mas sim de espantar toda a sorte de animais que pudessem oferecer algum perigo aos caçadores.

Mas indiretamente, a fogueira servia como um mediador, cujo crepitar das chamas incitava os homens em volta dela a conversar sobre uma diversidade de assuntos. Ou ainda, nos momentos em que ficavam em silêncio, o fogo era terapeuta, ouvindo os pensamentos que iam e vinham com grande compreensão.

Drew, o mais experiente dos seis, balançava a cabeça em negação enquanto levava à boca colheres de ensopado.

– Nada bom – disse, tão baixo que parecia falar sozinho. – Nada bom.

– Queria o quê, um filé mignon? Nessas condições, foi o que deu pra fazer…

– Não é sobre a comida que estou falando, Emmanuel. Estou pensando nas últimas caçadas.

– Ah, eu fiz o que pude. Neutralizei os adversários, estive focado o tempo todo. Mesmo sendo o mais inexperiente de vocês – disse Trequan.

– Eu posso ter tido minhas falhas, mas criei várias janelas que não foram aproveitadas em combate – argumentou Emmanuel.

– Sim, todos sabemos que estamos tentando, mas isso não tem sido suficiente – disse Drew. – Sabemos que estamos muito desfalcados. Eu também admito que tenho me equivocado bastante, mas…

– E o seu braço? – interrompeu Trequan. – Não havia algo com seu braço?

– Não há nada de errado com meu braço. Quem disse isso?

– As pessoas…

– As pessoas não me conhecem e não conhecem nosso grupo muito bem – disse Drew, de forma assertiva. – Assim fica fácil falar.

– Curti.

– Quem?

– Estou dizendo que curti o que você disse, ora.

– Olha, eu não vou me eximir da culpa, não. Tenho estado aquém do que posso oferecer. É algo que está me consumindo, inclusive – disse Cam.

– E você, Patrick? O que acha? – perguntou Emmanuel.

– Eu não sei de nada. O Janoris me mandou aqui no lugar dele e eu vim.

– Ai meu Deus, estamos fu…

Um pouco distante da fogueira, Alvin deu uma boa risada. Sempre letal, era o único ali que estava isento de qualquer crítica. Enquanto ria, foi se levantando e se dirigindo em direção à barraca.

– Está pensando em ir dormir, Alvin? Pode esquecer – disse Drew. – Vamos ter que ficar de guarda, estamos numa situação complicada.

Alvin bufou.

– Estaremos péssimos amanhã sem dormir e com os desfalques no grupo. Não tem como dar certo – disse.

– É o que veremos – respondeu Drew.

O alvo do dia seguinte eram os Leões Azuis. Não os animais (onde já se viu leão azul?), mas um bando de outros caçadores em disputa por território.

A noite foi longa.

E já com o sol a pino, foram surpreendidos por uma escaramuça dos Leões, que abriram boa vantagem no combate. Parecia que o dia seria bem longo também.

Mas só parecia.

Porque o grupo logo reagiu. Ligeiros, eficazes, enfim, dominantes. Drew comandava o ataque de forma inteligente, e, dessa vez, tinha Emmanuel e Trequan perfeitos. Os três foram fazendo estragos, enquanto Cam voltava à velha forma e até Patrick, o substituto, teve bela participação. E Alvin… Bem, Alvin continuava sendo ele mesmo: letal.

O grupo encontrou uma sintonia que não se via há algum tempo. Ainda havia muito o que ajustar, principalmente porque os Leões ensaiaram uma reação no final do combate, mas acabaram mesmo derrotados.

De volta ao acampamento, se reuniram em torno da fogueira, que não estava completamente apagada. Uma brasa, amena, ainda seria capaz de avivar as chamas. Seria aquela brasa a confiança neste grupo?

– Agora vai! Acho que acordamos de vez – disse Emmanuel, sorrindo.

E Alvin respondeu:

– Para se manter acordado, o melhor mesmo é nem dormir!


O autor deste texto é contra a caça de animais.

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