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O médico John Amoss, da equipe dos Saints, teve papel fundamental em diagnóstico vital pela segunda vez na carreira

O médico John Amoss, da equipe dos Saints, teve papel fundamental em diagnóstico vital pela segunda vez na carreira

Por John DeShazier | Traduzido por Thais May Carvalho

No dia 22 de março, o tight end Foster Moreau, nativo de New Orleans que desejava se juntar ao time de sua cidade natal, o Saints, anunciou que deixaria o futebol americano depois de ser diagnosticado com linfoma de Hodgkin.

Em 7 de setembro de 2017, o long snapper Jon Dorenbos, que o Saints havia adquirido recentemente em uma troca com os Eagles e que jogou apenas uma partida de pré-temporada por New Orleans, anunciou que tinha um aneurisma aórtico que exigiria cirurgia imediata e encerraria sua carreira na NFL.

Diagnósticos diferentes, separados por anos, mas com um denominador comum: John Amoss, médico do time do Saints cuja especialidade é internista.

“Olha, não tenho nenhum poder especial, mas sou minucioso, faço as coisas com cuidado”, disse Amoss. “Acho que muitas vezes, quando você vê muitas pessoas, você tende a seguir um fluxo. Isso é uma coisa contra a qual você deve se proteger como médico, não é apenas seguir o fluxo e não fazer as coisas com cuidado. E acho que o acaso também tem algo a ver com isso.”

“Mas nós tivemos sorte. Foster vai se sair muito bem, eu realmente acredito nisso. Ele tem um ótimo prognóstico e acho que vai se sair muito bem, acredito que ele vai voltar ao campo em um ano.”

É possível que Dorenbos e Moreau tivessem recebido seus diagnósticos em outro lugar. Amoss rapidamente descarta a noção de que alguém estava “errado”, ou que qualquer um dos jogadores recebeu cuidados inadequados anteriormente.

“Isso não é nada contra nenhum médico que tenha visto Foster antes”, disse ele. “Se Foster estivesse no Saints, eu não teria examinado-o no final da temporada como o médico da equipe. Seria somente o exame físico em maio que usualmente fazemos.”

“Isso provavelmente não era detectável naquela época, e se um jogador não está dizendo: ‘Ei, doutor, estou com esse caroço’, você não fará um exame físico nele. Portanto, você não pode dizer que alguém perdeu alguma coisa. Foi só o momento certo quando ele veio até mim e fiz um exame de rotina, descobrindo algo que provavelmente não era detectável em maio, quando ele fez seu exame físico (com os Raiders).”

Foster Moreau. Foto: Sarah Stier/Getty Images

Amoss disse que Moreau não tinha queixas específicas de desconforto. “Em meu exame de rotina, sempre sinto as glândulas”, disse ele. “É exatamente o que eu faço. Eu senti essa glândula anormal e perguntei: ‘Você já notou isso antes?’, e ele disse ‘Não’, então falei que teríamos que verificar isso”.

“Fizemos uma tomografia imediatamente (18 de março). 45 minutos após o início do meu exame estávamos fazendo uma biópsia deste nódulo, porque deu certo de fazermos uma tomografia rápido, e o radiologista era alguém que fazia biópsias. Nós fizemos uma biópsia ali mesmo depois de explicar toda a situação e mostrar os exames. Fomos muito sensíveis com ele porque você pode imaginar: Moreau está pensando que vai assinar com o time de sua cidade natal, e agora estamos dizendo que parece que você tem um linfoma, o que é muito sério e precisa ser biopsiado.”

“Para crédito de Foster, ele realmente foi muito maduro sobre isso. Não estava em pânico, mas obviamente preocupado. Então fizemos a biópsia e, na verdade, leva três dias para ser processado, que um patologista possa examiná-lo e dizer se é de Hodgkin. Mas suspeitávamos muito que esse seria um linfoma de Hodgkin ou não-Hodgkin.”

No caso de Dorenbos, depois de jogar 11 temporadas e 162 jogos consecutivos com os Eagles (um recorde da franquia), a detecção foi muito mais nebulosa.

“Jon tinha um murmúrio muito difícil de ouvir, (e) isso está na minha zona de conforto em termos de conhecimento”, disse Amoss. “Sou muito bom em ouvir sopros, sempre fui, sempre me interessei por isso e quase virei cardiologista, mas decidi fazer medicina geral porque gosto de tudo. Isso levou ao achado do aneurisma, que está associado ao tipo de problema que ele tinha.”

Dorenbos foi aconselhado a tentar não tossir, entre outras coisas de rotina. Sua carreira como jogador terminou.

“Minha mãe morreu quando eu tinha 12 anos, sua melhor amiga cantou ‘Wind Beneath My Wings‘ em seu funeral”, disse Dorenbos em entrevista ao podcast do Saints em dezembro de 2020. “E então, quando tudo isso aconteceu, lembro que fiz o teste com o doutor e voltei para o meu armário. Minha carreira tinha acabado e minha vida passou por uma mudança repentina.”

“Acredito firmemente que a história que você conta para si mesmo, as coisas que fala para si, fazem diferença em como você sairá de qualquer situação. Então, Drew Brees passou e eu me lembrei da amiga da minha mãe cantando ‘Wind Beneath My Wings’. A história que contei a mim mesmo é que minha mãe basicamente disse, ‘ei, é hora de sair do vento para pegar uma brisa’. Drew Brees era minha brisa. Fui negociado para New Orleans para ter minha vida salva por um santo, um doutor e toda a equipe de lá.”

Jon Dorenbos e Drew Brees. Foto: Opoyi

“Essa é a história que conto a mim mesmo e isso me deixa mais confortável. Foi uma daquelas situações em que eu estava exatamente no momento e no lugar em que deveria estar. Passei apenas alguns dias lá, estava tão animado para jogar pelo Saints, eu estava tão animado com essa mudança. Eu realmente não percebi o quão animado estava até chegar lá. Provavelmente a maior decepção que tive pessoalmente em minha carreira foi que não consegui jogar por mais tempo em New Orleans.”

“Eu digo isso o tempo todo, agradeço ao doutor todos os dias. Eu acordo, estou vivo. Isso só mostra que não importa em que posição você está ou quem você é, se você faz o que ama e se preocupa com o que faz, você se torna um verdadeiro profissional, um mestre em seu ofício, não há nada que seja insignificante. Não há nada que você não deva aprender. Ainda bem que ele prestou atenção na aula naquele dia.”

“Sou muito agradecido por ele estar lá. Agradeço às estrelas todos os dias por ele ter sido disciplinado e confiar em seu instinto. Ele tinha as melhores intenções por mim e sou eternamente grato por isso. Só estou feliz por estar vivo.”

No mesmo podcast, Amoss disse que a gratidão de Dorenbos foi imediatamente evidente. “Quando ele me viu no dia seguinte e foi informado de que sua carreira havia acabado e que precisaria de uma cirurgia de coração aberto dentro de uma semana… a maioria das pessoas ficaria agradecida, mas também um pouco irritada com o médico que basicamente arruinou a carreira deles”, disse Amoss.

“Mas Jon me viu do outro lado da sala de treinamento e disse: ‘Ali está meu melhor amigo. Esse é meu melhor amigo.’ E ele veio e me deu um grande abraço de urso, e disse, ‘Muito obrigado. Muito obrigado.’ Isso mostra quão incrível Jon é e como ele lida com a vida.”

Tanto Foster Moreau quanto Jon Dorenbos agora esperam levar uma vida produtiva, em parte graças ao cuidado de John Amoss.

“Ambos, para seu crédito, ficaram muito agradecidos”, disse Amoss. “Algumas pessoas, quando você diz isso a elas, elas ficam com raiva de você, porque encontrou algo que pode ser uma ameaça à sua vida, o que é uma resposta humana natural. Mas ambos ficaram incrivelmente agradecidos, e é maravilhoso ter um paciente lhe dizendo isso.”

“Mesmo que você saiba que está fazendo a coisa certa, algumas pessoas ficam com raiva. Mas ambos ficaram, quase imediatamente, gratos por termos feito nossa devida diligência e pegado o problema. Agora os dois vão vencer isso.”

“Eles são pessoas competitivas que dizem, ‘OK, eu tive muitas dificuldades na vida, esta é outra dificuldade e vou superar isso.’ Dorenbos certamente o fez, e estou confiante de que Foster também o fará.”

Traduzido de: neworleanssaints.com

Photographs By Michael C Hebert

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