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A casa do torcedor do New Orleans Saints no Brasil!
COLUNA DO ZÉ: Difícil. Quase impossível.

COLUNA DO ZÉ: Difícil. Quase impossível.

Por José Eduardo Zanon

Salve, torcedor dos Saints!

Ou, como diria aquele clichê que é muito usado para o Corinthians e que não vou usar aqui, “salvem os Saints”. Desculpe-me, não resisti. Mas está bem difícil. Até para fazer piada com esse time está difícil.

Passada essa semana 4, e essa derrota humilhante, no retorno ao Caesars Superdome, para o Tampa Bay Buccaneers, por 26 a 9, a impressão que fica é que não vai dar. Aquela sensação de temporada acabada, de terra arrasada, da qual me referi na coluna da última semana (você pode conferir aqui, se tiver paciência), dessa vez bateu pesado e aparentemente para ficar, com raízes fortes e robustas.

Já quero pedir desculpas se parecer muito melancólico, mas estou com meus gêmeos recém nascidos há quinze dias internados no hospital, e esperei ansiosamente por este breve momento de relaxamento e descontração com o jogo do New Orleans Saints no domingo, depois do almoço (comida de hospital, hum, delícia). E o que me entregaram pela tela do notebook foi de uma tristeza plena, sem dó nem piedade de um pai cansado, e minhas emoções só variavam de frustração a raiva, num looping que parecia infinito e cada vez maior.

Aquelas notícias que pareciam ser boas na última terça-feira se revelaram as piores das notícias. O QB Derek Carr dizia que se sentia bem confiante de que iria jogar, e durante a semana foi dando pinta de que realmente jogaria. Isso foi ótimo, ninguém gostaria de passar por um show de horrores com o QB reserva Jameis Winston em campo no domingo.

Só que o que eu vi foi um quarterback vacilante, claramente com medo de tomar pancadas com a peneira que é a linha ofensiva dos Saints, recuando demais para se proteger e fazendo apenas arremessos curtos. Em arremessos um pouco mais longos, como alguns vistos para os recebedores Michael Thomas e Chris Olave, e os pouco passes longos para Rashid Shaheed totalmente descalibrados.

Alguma coisa não estava legal, e provavelmente ele forçou a barra para estar em campo, talvez fosse melhor (para ele e talvez para nós – será?) ele ter descansado por uma ou até duas semanas.

Tá difícil saber o que fazer com a bola? E com o ombro dolorido não ficar pior? (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Essa semana que passou, apareceu um entrevista do Drew Brees, da época que ainda jogava pelos Saints, dizendo que sofreu uma lesão como essa que o Carr sofreu, ficou uma semana descansando o ombro, sem tocar na bola, chegou no domingo e jogou normalmente. Mas ele é o Drew f@ck%ng Brees. Carr não é Brees. Brees é melhor, mesmo aposentado há dois anos. Assim como o Aaron Rodgers sem uma perna e de muletas é melhor que Zack Wilson. Assim como Patrick Mahomes consegue ganhar um Superbowl sem uma perna.

Tanto não estava bem, que no final do jogo, quando as esperanças já eram pequenas, Winston entrou para dar apenas um lançamento, para uma interceptação e justificar a escolha por Carr com o ombro lesionado.

O RB Alvin Kamara voltou depois de três jogos de suspensão, e foi quem mais recebeu passes. E bateu um recorde negativo de jardas com essa quantidade de recepções (31 jardas em 13 recepções). E não foi só isso. Quer ver quão ruim foi o ataque dos Saints contra o Buccaneers? Vai lá ver a matéria publicada aqui no Mundo Who Dat, brilhantemente traduzida pela nossa colaboradora Thais May, clicando aqui, depois volte. É um festival de vergonha alheia, eu estou indignado num tanto que fico até sem palavras.

Apenas nossa criança que chuta Blake Grupe fez os pontos do time na derrota humilhante. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Nem nossa defesa, que ajudou muito nos dois primeiros jogos e cansou no último quarto contra Green Bay Packers, se salvou nesse jogo de domingo passado. Não teve pass rush eficiente, o QB rival Baker Mayfield teve tempo para fazer o que quisesse. As jogadas de corrida dos Bucs estavam funcionando pra eles, os passes também. Para se ter uma ideia, o CB Marshon Lattimore não conseguiu colocar seu filho, o WR dos Bucs Mike Evans, no bolso como sempre colocou.

Estava dando tudo errado. E naquela que foi a melhor jogada da defesa, das poucas que ocorreram, a arbitragem marcou a interceptação para a linha de uma jarda (ao invés de marcar na endzone). Na jogada seguinte do ataque o FB Adam Prentice sofreu um fumble que foi recuperado por Tampa e touchdown na jogada seguinte. Só tristeza.

Já se esperava isso da defesa algum dia, não é sempre que ela vai salvar o fraco desempenho do ataque, tem dia que não vai de jeito nenhum, apesar de não ser normal ter um jogo tão ruim assim. Havia muitos jogos que a defesa não cedia mais de 21 pontos. Sequência quebrada, vida que segue. Já o ataque, a sequência negativa não foi quebrada. E não há previsão de que seja quebrada tão cedo.

É comum em situações onde nada funciona bem, ficarmos procurando um bode expiatório. Quase todos estão culpando o coordenador ofensivo Pete Carmichael. Eu sou um desses “quase todos”, que fique claro. Desde a saída de Sean Payton, ele é o responsável pela chamada das jogadas ofensivas. E cada vez mais fica claro para mim que ele não tem capacidade para isso. Não deveria estar fazendo isso.

Chamadas que poderiam ser passes curtos ou corridas, são passes longos. Jogadas que precisam de passes longos são feitas chamadas de jogadas curtas. Tudo errado. E não sou só eu que estou vendo isso, óbvio.

Só que nosso gênio no comando, o treinador Dennis Allen, não pensa assim. Aliás, nem sei se ele está vendo o que está acontecendo. Na entrevista patética no pós jogo, ele deixou claro que não pensa que está tudo indo mal. Só apresentou um discurso vazio, mas cheio de desculpas. Não pensa em fazer nada a respeito em breve. Quer ver o que ele disse? Pode ir ver o que ele disse clicando aqui, nessa matéria traduzida pela Jéssica. E falando nela, essa coluna não tem palavrões apenas por mérito dela. Eu trocaria quase todos os adjetivos aqui usados por palavrões que seriam censurados no final. Ainda mais quando lembro de Carmichael e sua carinha de… de… ah, deixa pra lá.

Essa dupla deveria ser proibida de estar na beira do gramado. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Alguma coisa precisa ser feita. Alvin Kamara disse que precisam conversar de maneira bem dura, em entrevista pós jogo. Um ataque que tem essas armas ofensivas, com Kamara, Williams, Miller, Thomas, Olave, Shaheed, até o QB/TE/WR/RB/FB Taysom Hill, não pode ficar em branco. Não pode marcar apenas 4 touchdowns ofensivos em 4 jogos da temporada. Fomos buscar um quarterback de qualidade para ter ataque. Não essa piada previsível que faz as piores chamadas de ataque possível.

Só sei que desse jeito fica difícil. Difícil demais. Quase impossível esperar alguma coisa desse time. Apesar de tudo, das boas peças ofensivas e defensivas, de toda atmosfera do Superdome, de um bom quarterback. Muita coisa precisa mudar. Mas esse muita coisa precisa começar com alguma coisa. Que não parece muito. Mas faria muita diferença. Nessas horas, faz falta uma organizada para pichar os muros do Superdome, do centro de treinamento, pra fazer uma pressão a saída dos jogadores do CT, pra levar as faixas de protesto com erros gramaticais dos mais absurdos.

A gente segue na torcida, como sempre. Essa semana, o time viaja a Foxborough, para enfrentar a boa defesa do New England Patriots. Previsão do tiozão aqui: vai ser um show de horrores que eu não queria assistir, e não recomendo, em nome da sanidade mental. Mentira. Vamos lá, vai que a coisa muda. Até porque jogo feio pode ser muito divertido também!

Bora, Saints!

Venha me ver falando bobagem e sofrendo com o New Orleans Saints em outros lugares, no antigo Twitter e no Instagram.

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