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COLUNA DO ZÉ: Do desespero à volta da esperança

COLUNA DO ZÉ: Do desespero à volta da esperança

Por José Eduardo Zanon

Salve, torcedor dos Saints!

Para todo torcedor veterano do New Orleans Saints, já cascudo, o que aconteceu neste domingo de semana 3 da temporada regular da NFL é muito a cara dos Saints. Já vimos esse filme antes, em temporadas recentes.

Nada como entregar um jogo aparentemente fácil de uma maneira que chega a ser vexatória. E de quebra, perder o quarterback titular, que saiu de campo lesionado no terceiro quarto do jogo.

Ali, naqueles momentos finais do jogo, o Green Bay Packers crescendo e mostrando que ia virar o jogo inevitavelmente, a nossa torcida sem notícias do QB Derek Carr, o ataque nulo do time no segundo tempo, a defesa naufragando no cansaço e no ímpeto do rival, nesses momentos, eu sentia só desespero, com muito ódio e aquela tristeza de quem sentia que a temporada tinha acabado ali, naquele atendimento médico em campo ao Carr, reforçado depois na tenda azul à beira do gramado e que piorou quando ele foi ao vestiário.

No fim do jogo, eu só sentia tristeza. Que passou rapidinho, e eu explico já. Uma coisa boa do tempo é que nossa percepção sobre fatos ocorridos muda conforme ele passa, e meu prognóstico passou de ruim a reservado nos primeiros momentos da noite e madrugada. Se tivesse escrito estas bobagens aqui no domingo, após o jogo, tudo aqui seria terra arrasada, num cenário pós apocalíptico de Mad Max, O Livro de Eli e Resident Evil. Mas notícias não tão ruins foram surgindo, uma reflexão de como foi o jogo, foi possível nos intervalos da madrugada (eu sei que estou devendo uma pequena explicação, tenha calma), e meu otimismo foi renovado.

O TE Jimmy Graham segurando a bola e carregando um defensor chato na endzone 8 anos depois. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Otimismo como o que todos os torcedores dos Saints sentiam, penso eu, nos primeiros dois quartos do jogo em Wisconsin. Mesmo o ataque estando vacilante como vimos nos dois primeiros jogos, havia sinais de melhora, penso eu novamente. Um primeiro drive que deu em nada. Para começar daquele jeito. Mas a defesa, nosso novo amor, brilhou e forçou um turnover on downs do time de Green Bay, dando campo curto ao ataque, que não perdeu a chance e converteu um touchdown num míssil lançado por Carr na endzone para recepção da lenda, o TE Jimmy Graham.

Assim como a defesa, o special team também brilhou no segundo quarto, com um retorno de punt de 76 jardas do WR Rashid Shaheed. Se o ataque não estava brilhando novamente, muito por conta também da boa defesa dos Packers dessa vez, nossos outros setores estavam obrigado os Packers a cometerem vários erros, que nos permitiram abrir um placar de 17-0 tranquilo, com uma cara de jogo resolvido, completamente administrável no segundo tempo.

O WR Rashid Shaheed correndo sozinho para a alegria num touchdown em retorno de punt. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Só para deixar claro, os defeitos dos Saints estavam lá. Jogo terrestre claudicante, agora sem os RB Alvin Kamara (último jogo de suspensão) e Jamaal Wiliams (lesão no tornozelo contra os Panthers). Nem a estreia do calouro Kendre Miller causou o impacto esperado. Ataque aéreo parece que só tinha o WR Chris Olave, já que o WR Michael Thomas, e os TE em geral, estavam sumidos. As chamadas continuavam ruins, e a execução não estava daquele jeito que já se poderia esperar numa semana 3 de temporada regular.

Mas tudo que está ruim pode piorar, e muito. Porque isso aqui é New Orleans Saints, não é mesmo?

A linha ofensiva falhou miseravelmente com Derek Carr, que não foi esperto o suficiente para proteger sua vida e aceitou um saque monstruoso faltando 10:51 do terceiro quarto. E o homem ficou no chão. Levantou com auxílio dos médicos, saiu andando de campo, ok, nem tudo está perdido. Mas foi pra tenda azul, e de lá para o vestiário. E do vestiário para um hospital próximo, fazer mais exames além do raio-X no estádio.

Daí, foi tudo ladeira abaixo. O ataque que estava ruim, agora com o comando do QB Jameis Winston e em algumas chamadas com nossa máquina de jogar futebol americano, o agora QB Taysom Hill, foi se perdendo de vez. Nada mais dava certo. O ataque estava colocando a defesa em campo muito rapidamente a cada drive fracassado. E defesa cansada, morada do diabo. Não é esse o ditado popular?

A defesa foi morrendo, foi morrendo, e morreu no último quarto. Chegamos com 17-0 e terminamos com 17-18. Sim. Isso mesmo, tudo apenas no último quarto. Começou com um field goal, depois foi um drive com duas faltas de interferência de passe que terminaram em um touchdown com uma conversão de dois pontos extras. Estas duas faltas que não foram nada demais, se for marcar essa falta inexistente tem que marcar em praticamente toda tentativa de passe. Saints e interferência de passe. Destaque para o loucaço CB Alontae Taylor, que vinha bem demais no jogo, se destacando, e “cometeu” uma dessas faltas.

E quando a gente já tinha certeza que tudo tinha ido para a casa do vinagre, veio um drive com jogadas explosivas em passes longos do QB Jordan Love que resultaram em mais um touchdown, faltando quase três minutos no relógio.

Enquanto Cam Jordan e a defesa estavam bem, Jordan Love passou sufoco. Mas eles cansam, não? (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Em um tempo saudoso, a gente sabia que isso era mais do que suficiente para o New Orleans Saints ganhar o jogo. Mas não temos mais Drew Brees. Mas olha só, o ataque foi indo. Winston estava achando Thomas, Olave, o time foi indo, foi indo, e chegou numa quarta para 6 jardas na linha de 28 jardas do campo de ataque, com 1:10 no relógio. Eu acho que dava para arriscar a quarta descida, o ataque, por mais incrível que pareça, estava fluindo. Mas também é normal deixar o kicker entrar e ganhar o jogo nessa hora, depois a defesa segura, certo?

Mas aqui é New Orleans Saints, e nosso menino que chuta, o K Blake Grupe errou seu chute para 46 jardas. Ele, nosso juvenil recém promovido ao profissional, que já havia feito um de 25 jardas no segundo quarto, perdeu a sua tentativa. Um chute à direita das traves, que foi aquela punhalada no coração. Fim de jogo. Nada mais Saints que isso.

Junta uma derrota dramática dessas, com a lesão e a falta de notícias sobre Derek Carr, um ataque novamente deixando em muito a desejar, a defesa cedendo 18 pontos e uma derrota num último quarto, a impressão que tinha é que era fim de temporada já no terceiro jogo. Nada mais Saints do que isso. E o sentimento entre os torcedores aqui do Mundo Who Dat era o mesmo, de uma certa maneira. Praticamente um velório.

Mas daí olhei para o meu colo e comecei a sorrir. Dane-se a temporada. Tinha coisa mais importante para fazer. Meu filho, o pequeno (Michael) Thomas estava comigo, acompanhando esse fim de jogo, quando vi a carinha dele dormindo tranquilo nos meus braços, tudo passou. Ele e sua irmã Isabela chegaram antes da hora, na segunda-feira, pouco antes da nossa segunda vitória na temporada, contra o Carolina Panthers. Isso “explica” a ausência de Coluna do Zé na semana 2 da temporada, e o fato de ver o jogo num quarto de hospital e refletir sobre ele durante os intervalos de vigia na madrugada me permitiram ter uma visão muito mais otimista. Está tudo bem com eles, não se preocupem, mando notícias durante a temporada. Estou escrevendo essa coluna entre troca de fraldas e colinho para fazer os dois arrotarem. Vou ensinar eles a fazer isso com propriedade, esperem para ver. Vai dar tudo certo.

E é por isso que nem tudo está perdido, para mim. Isso e as notícias desta segunda-feira. Derek Carr, segundo o treinador Dennis Allen, sofreu apenas uma entorse da articulação do ombro, e sua situação será avaliada semana a semana, ou week to week, como costumam dizer por lá. Mas como bem lembrou o mestre Caio Rossini, Michael Thomas teve uma lesão assim, “week to week to week to week to week…”. O departamento médico em New Orleans é só tristeza. Parece que todo jogador que vai dar um passeio no DM não volta nunca mais. Será que o Bruno Mazziotti não está disponível não?

Precisamos de mais drives bem realizados como o desse touchdown. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Quase finalizando, é isso. Precisamos acompanhar semana a semana, torcer para o menor tempo de recuperação possível (lembrem que eu falei numa coluna ali atrás: “quem for de reza, que reze”). Nosso ataque precisa melhorar, nossa linha ofensiva precisa chegar para a temporada. A defesa precisa continuar saudável e brilhando como uma das melhores da liga. E se precisar, vamos torcer para aquele Jameis Winston que me iludiu em 2021 antes da lesão aparecer, o time continuar lutando dentro da divisão pela vaga nos playoffs e torcer para Carr voltar logo.

Então, vamos estar por aqui, como todos os anos ruins e bons também. Com um pouco mais de trabalho lá em casa, com certeza, mas com a torcida dos Saints aumentando, não tenho como não ficar feliz. Vai dar tudo certo.

Bora, Saints!

Venha me ver falando bobagem e sofrendo com o New Orleans Saints em outros lugares, no antigo Twitter e no Instagram.

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