Coluna do Zé: Nem deu tempo para nada

Salve, torcedor dos Saints…
Foi um dos piores jogos do New Orleans Saints que eu assisti. E olha que já tivemos muitos jogos ruins, ainda mais depois da aposentadoria de Drew Brees em 2020. Eu (que não entro em campo e não jogo) senti vergonha alheia em um nível que precisei sair para fazer outras coisas durante o jogo. Insuportável.
O New Orleans Saints recebeu, no Caesars Superdome, o seu maior rival, o Atlanta Falcons, para o jogo fechando a semana 4 da temporada 2026-27 da NFL, em um Monday Night Football histórico, e foi dominado e humilhado, perdendo por 45 a 24.
Eu disse histórico porque foi uma noite de festa, celebrando os 20 anos do “Rebirth”, a volta dos Saints ao Superdome, depois da destruição da cidade provocada pelo furacão Katrina, em agosto de 2005. Homenagens aos jogadores daquele time de 2006, principalmente a Steve Gleason que, coitado, foi obrigado a assistir o jogo até o final.
Todo um clima incrível, envolvendo a torcida, uma semana de muita celebração, culminando no jogo que deveria ser o ápice da celebração. Esqueceram de combinar com os Falcons e, principalmente, com o time do New Orleans Saints.

Começo ruim, para variar
O roteiro de quase todos os jogos. Mas dessa vez foi de uma velocidade e uma crueldade desnecessárias. Depois de quatro jogadas, o running back Bijan Robinson correu 59 jardas para anotar o primeiro touchdown dele no jogo, com apenas 1:26 passados de jogo. Deu para imaginar que o primeiro quarto seria 21 a 0 para os Falcons, nesse ritmo. Quase foi.
Os desfalques deixaram claro que isso ia acontecer. Era esperado. Mas não dessa maneira, talvez. Porque os Saints tiveram um three-and-out na primeira campanha. Previsto. Muita pressão para cima do quarterback Tyler Shough. Muita pressão mesmo. O jogo estava mais fácil para o ataque dos Falcons que para o dos Saints. O ataque dos Saints, pelo tanto de pressão em Shough, parecia um tropeço. E, para colaborar, muitas faltas no começo do jogo. E chegou a hora da entregada do dia.
O running back Kendre Miller fez mais uma corrida patética e deixou a bola frouxa o suficiente para tomarem a bola da sua mão antes de tocar o joelho no chão, ridiculamente displicente. E na campanha seguinte dos Falcons, novo touchdown terrestre de Bijan Robinson. Esse sim, imparável durante todo o jogo.
O ataque dos Saints resolveu jogar, entregando um touchdown no comecinho do segundo quarto, com Alvin Kamara correndo três jardas pelo meio. O ataque estava desfalcado de Travis Etienne Jr., na injured reserve (deve demorar a voltar). Poderia estar menos pior, se Daniel Carlson não tivesse errado um field goal de 52 jardas no primeiro quarto.
E o segundo quarto continuou na mesma toada. Os Falcons com facilidade de avançar no ataque, inclusive de converter quartas descidas. Os Saints com problemas graves nas trincheiras, nos dois lados da bola. Tanto que Atlanta anotou mais um touchdown corrido, agora com Brian Robinson, e um field goal de Matt Gay. E os Saints, nada.

Era melhor ter ido dormir
Veio o segundo tempo, e os Saints fazem uma bela campanha, de quase 8 minutos, que terminou com… um field goal de 27 jardas, deixando o placar em 24 a 10, praticamente matando todas as esperanças de uma reação. Foi uma escolha de Kellen Moore, em uma quarta para três jardas, na linha de 27 jardas do ataque. Até porque, depois, disso, Brian Robinson anotou o seu segundo touchdown corrido, colocando 31 a 10 no placar, e fim de jogo. E aqui encerro minha descrição dos lances.
No começo do último quarto, Alvin Kamara ainda anotou o seu segundo touchdown terrestre, ele que saiu por um período por uma lesão no joelho, mas voltou. Só que Michael Penix Jr., com muita facilidade, achou Jahan Dotson com um passe de 31 jardas. Estava tão fácil, que os Saints entregaram a bola em um turnover-on-downs que permitiu que Brian Robinson anotesse seu terceiro touchdown terrestre da noite, com 1 minuto e 36 segundos de intervalo entre as pontuações. E Devaughn Vele recebeu um passe de 3 jardas e anotou seu touchdown já no two-minute warning, para dar números finais ao placar em 45 a 24.
O comportamento da defesa foi uma vergonha, e o coordenador defensivo Brandon Staley tem culpa nisso. Não havia muitas peças para fazer ajustes, eu entendo, mas não fazer nada é para acabar com a moral do time e da torcida. Lesões e falta de contratações na offseason deixam tudo muito complicado. Se sabia como os Falcons iriam jogar, e eles jogaram exatamente assim, e nada foi feito.
E o ataque, com essa linha ofensiva que desmorona quando perde uma peça (no caso atual é o offensive tackle Kelvin Banks Jr.), não tem condições de ter um ataque terrestre, obrigando Tyler Shough a lançar a bola em 80 por cento das jogadas, sempre pressionado, sem sossego. E erros acontecem.

Números da vergonha
A defesa dos Saints, sem o linebacker titular Kaden Elliss e o edge Carl Granderson, não conseguiu parar nenhum dos Robinsons. Brian marcou três touchdowns, correndo para 62 jardas em 14 tentativas, enquanto Bijan mais uma vez brilhou e anotou dois touchdowns, tendo corrido para 145 jardas (a média dele em jogos no primetime era de 154 jardas antes desse jogo). O quarterback de Atlanta, Michael Penix Jr., completou 15 de 20 passes para 223 jardas, com um passe de touchdown de 31 jardas, e foi sacado apenas uma vez, por Tyree Wilson.
O ataque dos Saints sob o comando do quarterback Tyler Shough parecia fora de sincronia e não conseguia marcar pontos suficientes para termos um jogo, mas a culpa não pode cair sobre ele. Longe disso. Shough completou 30 de 48 passes para 286 jardas, com um passe para touchdown no fim do jogo (para Devaughn Vele).
O recebedor Chris Olave teve mais um grande jogo, com oito recepções para 116 jardas, enquanto o tight end Juwan Johnson teve seis recepções para 59 jardas. Devaughn Vele teve seis recepções para 54 jardas e um touchdown. O veterano running back Alvin Kamara correu para apenas 23 jardas em sete tentativas, anotou dois touchdowns (de três e cinco jardas) e recebeu cinco passes para 35 jardas, chegando a cinco jardas de ter cinco mil jardas recebidas em sua carreira.

Sem tempo para esperança
Para quem se esperava estar 3-1 a esta altura da temporada, estar 1-3 deixa toda a torcida frustrada, decepcionada, mais uma vez. É assim, ano após ano. Parece um déjà–vu da temporada de 2024, com a empolgação de dois jogos só sendo superada pela enorme frustração das semanas seguintes.
E contra a defesa do Minnesota Vikings (4-0), no próximo domingo às 14 horas de Brasília (transmissão apenas no Gamepass/DAZN), o cenário deve se repetir, no Caesars Superdome. Basta uma boa linha defensiva para a atual linha ofensiva do New Orleans Saints desmoronar.
A torcida vaiou o time no fim dos dois tempos. O treinador principal, Kellen Moore, precisa se responsabilizar por isso. O coordenador defensivo Brandon Staley também. Desde que Moore e sua comissão técnica assumiram, o time dos Saints precisou correr atrás no placar no segundo tempo em 17 dos 21 jogos. Isso não pode ser normalizado.
E com as lesões se somando, tudo tende a piorar. Não há peças de reposição à altura, o nível de atuação cai demais. E já vimos esse filme tantas e tantas vezes. Lá vamos nós, mais uma vez. Mas quem pode prever o futuro? Vai que o time toma vergonha na cara depois dessa humilhação e resolve subir o nível?
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Bora Saints!
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Foto de capa: Chase Young (99) segurando Bijan Robinson (7), sendo observado por Justin Reid (21) e Devin Godchaux (92) (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)