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COLUNA DO ZÉ: Olha a esperança aí outra vez

COLUNA DO ZÉ: Olha a esperança aí outra vez

Eu avisei que essa vitória viria, se você se lembra da minha última coluna, caro leitor sofredor. Eu sabia que que os Saints iam ganhar por dois motivos básicos. O primeiro é óbvio, o time de Tampa é tão ruim quanto o de New Orleans. O segundo, mais sutil, é de que os Saints precisavam manter a esperança de classificação como uma chama acesa no coração dos torcedores mais fanáticos e iludidos, como eu.

Para depois partir nosso coração da maneira mais dolorosa possível ali, ao fim de tudo. Afinal de contas, a esperança não é a última que morre, é ela que mata o torcedor do New Orleans Saints.

Juwan Johnson anotando um touchdown no primeiro drive dos Saints. Muito raro. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Jogo tranquilo

Durante a maior parte do jogo, o New Orleans Saints jogou um de seus melhores e mais tranquilos jogos de futebol da temporada. Defesa se comportou muito bem, ataque produziu o suficiente, o time de especialistas foi bem.

Os Saints praticamente mataram o jogo no primeiro tempo, abrindo um placar de 17 a 0, que poderia, não fosse as limitações básicas de um coordenador ofensivo ruim, ser muito mais. O segundo tempo foi de administração, evitando uma possível reação do time dos Buccaneers.

Taysom Hill celebrando seu touchdown com Chris Olave. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

O jogo estava tão fácil, tão praticamente morto, que me dei ao luxo de ir fazer a minha receita de cheesecake de paçoca para a festa da virada de ano que teria aqui em casa dentro de algumas horas. Fiquei escutando o jogo da cozinha, no intervalo entre usar a batedeira e o processador.

Ataque limitado mas suficiente

New Orleans operou o plano de jogo perfeito para suas atuais capacidades: protegeu a bola (não sofreu nenhum turnover), converteu terceiras descidas suficientes (8 de 18), controlou algum relógio com o jogo corrido (35 carregadas para 108 jardas e mais de 36 minutos em tempo de posse de bola) e distribuiu bem, de certa maneira, a bola (10 jogadores receberam passes).

Jamaal Williams foi o melhor running back para os Saints. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Os Bucs pareciam não saber o que fazer para parar o ataque dos Saints, que só parava na limitação intelectual e cognitiva dos treinadores dos Saints. Se dependesse dos Bucs, os Saints teriam mais de 600 jardas no jogo, tal o nível de confiança e de facilidade de progressão, mas os Saints totalizaram apenas 310 jardas ofensivas.

Espero que ninguém tenha contado com os jogadores de ataque dos Saints nas finais do Fantasy Football. O recebedor Chris Olave só teve 26 jardas em três recepções. Rashid Shaheed teve apenas 14 jardas em duas recepções. Nenhum touchdown para eles.

O running back Alvin Kamara só teve 45 jardas em 10 tentativas de corrida e quatro jardas em duas recepções. E saiu lesionado no terceiro quarto, podendo ficar de fora do último jogo da temporada. Jamaal Williams foi quem mais correu, com apenas 58 jardas em 19 tentativas. Nosso coordenador ofensivo não pode nem ser chamado de fraco, porque isso ainda denotaria alguma força, que ele obviamente não tem.

Quem se destacou foi o tight end Juwan Johnson. Um belo jogo, com 90 jardas em 8 recepções, sendo uma delas espetacular, de 32 jardas, com direito a cambalhota no ar terminando no chão, cinema total. Ele também foi responsável pelo primeiro touchdown dos Saints, na primeira campanha do jogo. O detalhe aqui é que ele saiu lesionado nesse TD, voltando no momento exato em que fez a recepção acrobática. Cinema.

O TE Juwan Johnson fez uma recepção de cinema. Se você não viu, procure o vídeo! (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

O segundo touchdown, já no segundo quarto, foi anotado por Taysom Hill, numa recepção de 22 jardas num passe de Derek Carr. Quando a máquina de jogar futebol americano chamada Taysom Hill é envolvida no plano de jogo, é quase certeza de vitória. Além disso, na parte da administração do jogo, e incapacidade do ataque de fazer o touchdown, Blake Grupe acertou seus três field goals.

Defesa fez sua parte

Quando se joga contra um time ruim, é necessário fazer sua parte na defesa. E os Saints fizeram o que precisavam. New Orleans segurou Tampa Bay para 44 jardas ofensivas no primeiro tempo, o que e difícil mensurar se foi pela ruindade dos Bucs ou por uma atuação justa de uma defesa que é, ou deveria ser, elite.

Foram quatro turnovers, com duas interceptações, uma do cornerback Alontae Taylor e uma do safety Johnathan Abram, e duas recuperações de fumble, com o linebacker Demario Davis (que homem!) e com o cornerback Isaac Yiadom.

“Deusmario” Davis correndo com a bola após uma recuperação de fumble. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Foi uma grande jornada para parar um ataque que teve média de 29 pontos durante a sequência de quatro vitórias de Tampa Bay, mas New Orleans conseguiu fazer o que tinha que fazer. Os Saints pararam o jogo corrido, permitindo apenas 57 jardas em 15 carregadas, e não deram paz ao QB Baker Mayfield, com as duas interceptações, dois sacks (um com Zack Baun em sua nova função) e uma boa quantidade de pressão.

Mesmo assim os Bucs ameaçaram uma reação no último quarto, anotando dois touchdowns, mas qualquer reação morreu numa interceptação (que não conta nos números finais) de Paulson Adebo numa tentativa de conversão de dois pontos, já nos dois minutos finais. Claro que tudo poderia ser diferente se o calouro Trey Palmer não tropeçasse no vento e soltasse a bola no que seria um touchdown para 75 jardas dos Bucs, faltando menos de quatro minutos para o fim do jogo.

Bryan Bresee é uma grata revelação da temporada. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Um destaque que quero fazer é para Rashid Shaheed como retornador. Ele teve dois retornos de punt somando 27 jardas, mas seu desempenho ao longo do ano fez dele o único jogador dos Saints escolhido para o Pro Bowl dessa temporada. O que mostra a total incapacidade dos treinadores de New Orleans em usar os excelentes jogadores que tem no elenco de maneira satisfatória.

O que vem agora

Agora falta um jogo, apenas. Ou não. Depende da sua fé. Ou do seu nível alucinógeno. Ou dos deuses do futebol. Com essa vitória, agora temos uma campanha 8-8, empatados com o próprio Tampa Bay Buccaneers na liderança da divisão, mas atrás nos critérios de desempate.

O próximo e último jogo da temporada regular é contra o Atlanta Falcons, no Caesars Superdome. Os Falcons praticamente deram adeus às suas chances de classificação ao perder para o Chicago Bears.

Alvin Kamara sofre demais nas mãos desse corpo técnico, saiu lesionado e preocupa para o último jogo da temporada. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Há dois cenários onde os Saints podem se classificar, nessa confusão que é a NFC Sul e a própria NFC. O New Orleans Saints precisa vencer o Atlanta Falcons, e torcer para uma derrota do Tampa Bay Buccaneers contra o Carolina Panthers, para ficar em primeiro na divisão e jogar mais um jogo de playoffs em casa, no Superdome, contra o melhor time do Wildcard (hoje seria o Philadelphia Eagles).

O segundo cenário é a classificação pelo Wildcard, onde o New Orleans Saints precisa vencer os Falcons e torcer por derrota do Green Bay Packers (contra os Bears, que ainda tem chances remotas) e também do Seattle Seahawks (contra o Arizona Cardinals, que venceu os Eagles no último domingo, mas já desclassificados).

É isso, amiguinhos. Os Saints se colocaram nessa posição de não depender só de si (o que pode ser bom, pensando bem), e agora não basta vencer, tem que torcer pelo impossível. Como diria Galvão, o Bueno: “HAJA CORAÇÃO, AMIGO!!”.

Mas vamos lá. Domingo tem mais. Pode ser a última vez dessa temporada. Ou não. E a gente segue num misto de esperança e desespero.

Bora, Saints!

Foto da capa: Juwan Johnson voando para fazer uma das recepções mais bonitas da temporada. (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Venha me ver falando bobagem e sofrendo com o New Orleans Saints em outros lugares, no antigo  Twitter e no  Instagram.

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