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Crônicas em Preto e Dourado: Sobre Foguetes e Expectativas

Crônicas em Preto e Dourado: Sobre Foguetes e Expectativas

Espaço, a fronteira final. A sensação única de estar onde poucos chegaram, de se tornar estrela, de pensar que, em meio ao vácuo que traz consigo o silêncio, é possível ouvir um som: o som da glória.

Porém, chegar no ponto mais distante exige anos-luz de dedicação e experiência. E quando bons resultados começam a aparecer, surge também um obstáculo: lidar com as expectativas que costumam subir mais rápido que aquele foguete.

O foguete. Batizado de SBLV por aquele time. Time que já havia construído outros foguetes, mas que não conseguia fazer com que chegassem . Questão de detalhes. Em 2018, foram sabotados quando estavam prestes a alcançar a estratosfera. Em 2019, pane geral e uma queda vertiginosa.

“Este é o ano! Sem mais desculpas!”, disse um coordenador, quando o foguete ainda estava apenas no projeto. Nesse projeto, o foguete parecia mesmo robusto, potente, imbatível. Algumas peças novas traziam mais confiança e – de quebra – mais expectativas.

Foguetes têm uma particularidade: os problemas de verdade só aparecem depois que ele decola. Falhas catastróficas só são possíveis, obviamente, com ele no ar. Por isso, antes que a expedição rumo ao espaço comece, o sucesso se resume ao projeto; afinal de contas, o papel aceita tudo.

E quando esse foguete decolou, os primeiros metros rumo a um destino brilhante não foram muito bons, mas mesmo com alguns engasgos, seguiu. “Estamos tentando achar um ritmo e uma cadência. Isto foi horrível”, disse o comandante da expedição sobre um início insatisfatório.

Tal autocrítica deveria ser razão para crer que a sequência seria melhor, já que as falhas estavam sendo reconhecidas. Mas não foi isso que aconteceu. Logo em seguida, o sistema de contenção F7 simplesmente apagou e a turbina secundária parecia miserável. Muitos problemas. Pra piorar, o piloto, outrora tão experiente, parecia perdido, apertando os botões nos momentos errados.

A única coisa que funcionou muito bem foi o Acelerador Lógico Vetorizado por Impulsão de Nitroglicerina – A.L.V.I.N., que, no ano anterior, tivera alguns problemas de hardware, aparentemente já resolvidos. A.L.V.I.N. funcionava tão bem que os engenheiros até brincavam que aquele foguete só não estava condenado por conta dele. Custou caro, mas o investimento valeu a pena.

O fato é que a expedição corre sérios riscos. E quando tudo está assustadoramente ruim, não tem jeito: o comandante é o responsável. Mesmo o piloto, ineficaz, segue suas ordens. Por quanto tempo o time confiara no comandante? Ele seria modesto o suficiente para reconhecer que o fracasso desta expedição depende de rever os próprios conceitos? Afinal de contas, peças não faltam, pelo contrário. O que falta é liderança.

Foguetes têm uma outra característica: assim como aviões, balões, ou times de elenco forte de futebol americano, quando eles caem, nada resta. A queda é brutal. Em meio aos destroços, estarão as expectativas por uma linda jornada, que só aconteceu no coração de quem esperou ver seu foguete em meio às estrelas.

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