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PÓS-JOGO: 14×22 @ PANTHERS – O desastre de Carolina

“Eu esperava que faltariam ajustes, mas não esperava que o time virasse um desastre”. Essa frase de Higor Laet resume bem o início de temporada do New Orleans Saints. É a primeira vez desde 2005 que não temos um treinador – por mais que suspenso em 2012, a organização ainda contava com ele – e o caminho do desastre parece similar com aquele trágico 3-13 com um agravante: Nossa primeira escolha do próximo draft está com o Philadelphia Eagles.

Mas passada a introdução terrorista, a sensação ao terminar de assistir a partida contra o Carolina Panthers era a pior possível. Por mais que a diferença fosse de apenas uma posse de bola, ou que o quarterback Jameis Winston tenha conseguido mais de 350 jardas, ou que o recebedor Chris Olave tenha tido uma partida espetacular, ou que a defesa tenha se mostrado sólida novamente, o que fica é uma série de erros grotescos, inclusive de quem deveria estar focado em os corrigir.

Ao subir para entrevista, Winston, claramente frustrado, começou. “Nós precisamos executar melhor e parar de atirar no próprio pé. Não podemos cometer tantas faltas. Não podemos atirar no próprio pé. Isso tudo faz parte da execução. Essas coisas pré-snaps“.

Ele tem razão. O New Orleans Saints é o segundo time da NFL que mais faz faltas (24) e, o pior, é o segundo time com mais faltas no time de especialistas (6). Ou seja, começamos em posição de campo ruim e caminhamos para trás com frequência.

“Parte das faltas eu não concordo, mas certamente é algo que precisamos arrumar”, disse o técnico Dennis Allen.

E aqui chegamos em mais um consenso: O principal problema é pré-snap. Claro que as decisões do quarterback, que perdeu alguns alvos livres durante o jogo, impactam no resultado. Mas o problema claramente tem sido na falta de leitura de pressões e a falta de ajustes que façam o ataque caminhar com mais ritmo.

“Nós tínhamos um bom plano [contra as blitzes]. Penso que eles fizeram muitas pressões zero e quando é assim é impossível bloquear todos eles. Nós fizemos um bom trabalho preparando esquemas para colocar as bolas nas mãos. O único sack que tomamos foi na redzone e não tirou o time do alcance de field goal. Novamente, nós nos colocamos em situações de descidas longas. Nós tínhamos algumas jogadas de desenvolvimento mais longo e eles nós trouxeram zero blitz. Não conseguimos bloquear todos eles. Isso foi lamentável”.

Além do sack citado, Winston tomou ainda seis pancadas enquanto lançava. Um quarterback que está jogando com costelas quebradas, que admite estar jogando com dor, e que precisa ser melhor protegido. E que também esbarra em seu desempenho. Em várias jogadas, a decisão tomada por Winston passou longe de ser a melhor. E nas redes sociais muita gente já questiona o quarterback. Mas ele, aparentemente, ainda tem confiança dos técnicos.

“Não, não, não, não. Olhe, todos nós temos que jogar melhor, então não estou olhando para culpar especificamente alguém”, disse Dennis Allen. “Claro, temos que fazer algumas correções e todos precisam melhorar, como um grupo”.

Só que o desastre citado no começo do texto passa também pelos técnicos. Várias vezes o ataque se resumia a um passe errado na primeira descida e uma corrida básica na segunda. Com a posição ruim de campo, a terceira descida era arriscada e precisava de mais tempo para a jogada desenvolver e era ai que o Panthers abusava das blitzes.

E das vezes que o ataque conseguia criar algum ritmo, esbarrávamos um trabalho horroroso do time de especialistas. O kicker Wil Lutz teve um chute bloqueado e errou outro de 48 jardas. “Bom, ele precisa acertar entre as traves, mas eu tenho plena confiança no Wil Lutz”.

Fato é que com tantos erros fica impossível vencer. Mesmo que você tenha bastante talento, como tem os Saints, ou que você enfrente um time limitado e em reformulação, como os Panthers. Nestes casos, até os seus talentos jogam contra, como aconteceu com o fumble de Alvin Kamara logo no início do jogo.

PROBLEMA OU SOLUÇÃO

Gosto de separar as situações com pessoas ou itens que fazem parte do problema ou da solução. Vamos aos pontos:

SOLUÇÃO

Chris Olave: Foram lançadas 13 bolas em sua direção, para nove recepções e 147 jardas. Foi, facilmente, o melhor ponto da partida. O novato vem mostrando ser melhor e mais confiável do que esperávamos e impressionante como ele está pronto para assumir uma posição decisiva no time;

Michael Thomas: Voltando de lesão após praticamente dois anos sem jogar, Thomas vem mostra continuar sendo um recebedor seguro e decisivo. Pegou todas as cinco bolas que foram em sua direção. Apesar de ter apenas 45 jardas, foi algumas vezes o alvo preferido em terceiras descidas, o que trás um ponto a mais de importância em sua participação;

Tre’Quan Smith: Que? Quem não viu o jogo vai achar absurdo ler este nome aqui. Mas com a lesão de Jarvis Landry, Tre’Quan Smith voltou a ter espaço e respondeu bem. Foram quatro recepções para 105 jardas e que foram encerradas precocemente no último quarto com uma concussão. Foi o primeiro jogo para mais de 100 jardas na carreira;

Defesa: Por mais que o Panthers tenha conseguido 145 jardas corridas, foi o que nos manteve no jogo. Segurou o quarterback Baker Mayfield em um rating tradicional de 88.3, cedendo apenas 12 passes completos em 25 tentados, sendo que o único touchdown cedido foi em um surto coletivo em que Laviska Shenault pegou um passe lateral e correu por 67 jardas. Precisa de ajustes, principalmente para pressionar o quarterback, mas vem realizando um trabalho muito bom;

PROBLEMA

Técnicos: Eu poderia focar todo o problema no coordenador ofensivo Pete Carmichael. Mas a verdade é que todo o time vem sofrendo com o que os americanos chamam de bad coaching. É um time com peças talentosas, mas mal treinado, principalmente no ataque e no time de especialistas. A defesa vem mantendo algum ritmo, mas também teve queda de rendimento nas pressões. O técnico Dennis Allen precisa mostrar que tem controle em todos os setores e participar das soluções, principalmente no ataque. Só que, principalmente nas entrevistas, Allen não parece muito a par do que acontece em outros setores. Está na hora dele assumir a função de headcoach.

Pete Carmichael: Não colocar todo o foco nele não significa que ele tem (grande) culpa. Em três rodadas, o ataque do Saints mostra não ter identidade e um plano de jogo que varia entre “vamos ver o que acontece” com “eu não sei o que acontece”. O padrão passe/corrida/passe foi tão manjado que não surpreende mais ninguém. A falta de ajuste no gameplan para uma defesa agressiva me incomoda. As corridas são sem criatividade, sempre usando um sistema de zone blocking, e estão limitando muito Alvin Kamara. Pete está deixando claro o porque nunca saiu da sombra de Sean Payton.

Jameis Winston: Divido entre ele e Pete Carmichael a responsabilidade pelos problemas pré-snap. Ajustes de bloqueios e rotas precisam ser feitos pelo quarterback e a sensação é que várias vezes Winston peca nisso. Alem do que, o quarterback por vezes optou por um passe longo apertado ou com marcação dupla ao invés de lançar perto para alguém livre. Sua movimentação no pocket está muito ruim, mas nessa dou um desconto por estar jogando machucado;

Time de Especialistas: Field Goal bloqueado, depois field goal errado, mais faltas em retornos… Tínhamos um dos melhores ST da liga e hoje temos uma unidade desleixada. Não só em situações de pontuação, mas um bom punt, um bom retorno, boas ou más posições de campo, tudo isso decide um jogo. É mais um aspecto que vem jogando contra os Saints.

Lesões: Landry saiu com uma lesão no tornozelo. Michael Thomas machucou um de seus dedos. Tre’Quan Smith saiu com concussão. Winston e Kamara estão jogando machucados. Tirando Landry, todos devem continuar jogando, mas as lesões começaram a minar uma equipe que ainda precisa de tempo jogando junto para encaixar.

Assista aso melhores momentos da partida

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