pré jogo

PRÉ-JOGO: The Saints are coming!

Mateus Bernardes
Mateus Bernardes 26 set 2026 · 4h atrás

Você provavelmente deve concordar comigo, torcedor. Só tem uma coisa melhor que viajar: voltar para casa. Por melhor que tenha sido a viagem, existem coisas que só nossa casa tem.

Foram duas semanas longe de casa para o Saints. Detroit e Baltimore no itinerário e muitas coisas positivas na mala, mas a volta a New Orleans era muito aguardada. Na Semana 3, o Saints volta ao Superdome para ter seu primeiro compromisso oficial diante da própria torcida.

E talvez não pudesse existir momento melhor para isso.

Após os resultados das primeiras duas semanas, um otimismo tomou conta da torcida como há muito tempo eu não via. E chegar ao Superdome neste domingo para sentir a energia da torcida neste momento pode ser um combustível para manter a boa fase da equipe.

Jogar diante de sua torcida.

20 anos de uma noite que mudou tudo

25 de setembro de 2006; New Orleans, Louisiana, EUA. Torcedores do New Orleans Saints comemoram durante a cerimônia de reabertura do Louisiana Superdome, em New Orleans. Creditos: Matt Stamey-USA TODAY Sports Copyright Matt Stamey | IMAGN IMAGES via Reuters Connect

Por falar em volta para casa, existe algo ainda mais especial neste retorno.

Há 20 anos, em 25 de setembro de 2006, o Saints também estava voltando para casa.

Depois do furacão Katrina, o Superdome havia se tornado um dos símbolos da tragédia que atingiu Nova Orleans. Mais de um ano depois, o estádio estava novamente pronto para receber o Saints. Naquela noite, diante de 70.003 pessoas, New Orleans derrotou o Atlanta Falcons por 23–3.

É difícil encontrar uma imagem que represente melhor a relação entre o Saints, o Superdome e a cidade de Nova Orleans.

Naquela noite, o futebol americano voltou para casa.

A volta para casa não será tranquila

Diferente do que muitos torcedores podiam esperar, Saints e Raiders chegam à Semana 3 entregando mais do que as expectativas.

No comando dos Raiders está Klint Kubiak — ex-coordenador ofensivo do Saints em 2024 e campeão do Super Bowl em 2025 pelos Seahawks. Em sua primeira oportunidade como Head Coach na carreira, Kubiak e os Raiders chegam a Nova Orleans com 2–0, depois de vencerem Miami na estreia e derrotarem os Chargers em Los Angeles. Dois adversários que vêm apresentando baixo desempenho nestas primeiras semanas, é verdade. Mas isso não diminui o feito dos Raiders.

A defesa de Las Vegas é um dos principais motivos para o início 2–0. Os Raiders permitiram apenas 13,5 pontos por jogo e vêm conseguindo pressionar os quarterbacks sem precisar mandar blitz o tempo todo.

No ataque, alguns nomes em especial vão exigir atenção.

O principal talvez seja Ashton Jeanty. O running back soma 150 jardas em 44 carregadas nas duas primeiras semanas. Porém, contra os Chargers na Semana 2, foram apenas 48 jardas. Ainda assim, a defesa de New Orleans teve certa dificuldade com o jogo terrestre nas duas primeiras semanas e vai precisar encontrar uma resposta contra um jogador talentoso como Jeanty.

Comandando o ataque veremos Kirk Cousins, que no ano passado venceu o Saints por duas vezes quando ainda era quarterback dos Falcons. Ele chega ao Superdome com 6 TDs em dois jogos, mas também com 3 interceptações, e New Orleans precisa pressioná-lo.

Brock Bowers, um dos principais alvos desse ataque, pode ser peça fundamental neste jogo. Embora o tight end tenha aparecido no injury report desta semana com uma lesão no joelho e tenha o status questionável, a expectativa é que jogue.

Lidando com as lesões

Asim Richards (72) que será titular contra os Raiders.
MIchael C. Hebert/New Orleans Saints

Os Saints chegam à Semana 3 vivendo um bom momento, e as expectativas sobre Tyler Shough são cada vez mais altas. Apesar do otimismo, Kellen Moore ainda tem coisas a resolver: o jogo corrido continua sendo uma preocupação e agora existe uma nova dúvida na linha ofensiva.

Kelvin Banks Jr., que havia sido titular em todos os jogos desde que chegou à NFL, sofreu uma lesão no tornozelo contra os Ravens, passará por cirurgia e perderá um bom tempo na temporada. Quem assume a posição de left tackle é Asim Richards. Apesar de entrar na fogueira na Semana 2, o tackle teve uma boa atuação, passando confiança à torcida.

E isso pode ser especialmente relevante contra uma defesa dos Raiders que vem jogando bem no início de temporada e que tem do outro lado Maxx Crosby.

O Saints já enfrentou Aidan Hutchinson e Trey Hendrickson nas duas primeiras semanas. A diferença é que, desta vez, Crosby deve alinhar contra Richards em boa parte dos seus snaps.

Os Raiders estão gerando pressão em 61,8% dos dropbacks, a maior taxa da NFL depois de duas semanas, e já têm oito sacks. Ao mesmo tempo, Shough já foi derrubado oito vezes.

Sem dúvida, um ponto-chave para ficarmos de olho.

Um jogo aéreo de respeito

Se a defesa dos Raiders ainda não enfrentou grandes ataques, o Saints tem o que precisa para de fato ameaçá-los.

Tyler Shough e Chris Olave vêm tendo, até o momento, uma temporada de elite. Foram duas grandes atuações da dupla. O quarterback lidera a NFL com 662 jardas passadas, e Olave é o segundo em jardas recebidas, com 268.

O dia chegou, amigos. Precisamos elogiar ele: Juwan Johnson. O tight end apareceu muito bem em momentos importantes na vitória contra Baltimore e é mais uma opção para que Shough distribua o jogo.

Mas, apesar de confiar muito no ataque aéreo neste início de temporada, o torcedor espera não precisar de atuações heroicas de seu quarterback em todas as partidas e, para isso, Kellen Moore precisa descobrir como iniciar bem os jogos e correr melhor com a bola.

Nova semana, velhos problemas

Se existe um problema que Kellen Moore precisa resolver com urgência, é a capacidade do Saints de começar bem as partidas. A vitória em Baltimore não apagou uma tendência que já dura tempo demais: são 23 jogos consecutivos sem que New Orleans termine o primeiro quarto à frente. E, em 13 das 19 partidas de Moore como head coach, o Saints sequer conseguiu marcar no primeiro período.

Nas duas primeiras semanas de 2026, a história se repetiu. Contra Detroit, o Saints não marcou nenhum ponto no primeiro tempo. Em Baltimore, novamente o time começou atrás e foi para o intervalo perdendo por 14 a 6.

Parte da solução passa necessariamente pelo jogo terrestre. Depois de uma temporada de 2025 em que o Saints terminou entre os piores ataques terrestres da NFL, a expectativa era de evolução com a chegada de Travis Etienne. Mas, até aqui, New Orleans não mostrou bons resultados: foram apenas 91 jardas contra Detroit e 65 contra Baltimore, com médias de 3,6 e 2,4 jardas por tentativa, respectivamente.

É hora de voltar para casa

Talvez este jogo tenha um significado especial para os torcedores de New Orleans. Se, há 20 anos, o Saints voltou ao Superdome carregando uma cidade inteira nas costas, o futebol representou algo muito maior do que o resultado de uma partida.

Neste domingo, a estreia dos Saints em casa traz outro significado. Um time que deseja muito viver seus melhores dias novamente para retribuir à cidade e aos torcedores tudo aquilo que recebeu por anos e anos.

Se você, torcedor, vive um otimismo nesse momento, desfrute. Você tem motivos para isso. Estamos ansiosos para descobrir aonde essa jornada nos levará em 2026.

Depois de duas semanas viajando, chegou a hora de voltar para casa.

Imagem de capa: Imagem do interior do Superdome durante seu jogo de reabertura em 2006 na semana três entre New Orleans Saints x Atlanta Falcons. Michael C. Hebert/New Orleans Saints

Texto por Mateus Bernardes

Please follow and like us: