PRÉ-JOGO: The Saints are coming!
Você provavelmente deve concordar comigo, torcedor. Só tem uma coisa melhor que viajar: voltar para casa. Por melhor que tenha sido a viagem, existem coisas que só nossa casa tem.
Foram duas semanas longe de casa para o Saints. Detroit e Baltimore no itinerário e muitas coisas positivas na mala, mas a volta a New Orleans era muito aguardada. Na Semana 3, o Saints volta ao Superdome para ter seu primeiro compromisso oficial diante da própria torcida.
E talvez não pudesse existir momento melhor para isso.
Após os resultados das primeiras duas semanas, um otimismo tomou conta da torcida como há muito tempo eu não via. E chegar ao Superdome neste domingo para sentir a energia da torcida neste momento pode ser um combustível para manter a boa fase da equipe.
Jogar diante de sua torcida.
20 anos de uma noite que mudou tudo

Por falar em volta para casa, existe algo ainda mais especial neste retorno.
Há 20 anos, em 25 de setembro de 2006, o Saints também estava voltando para casa.
Depois do furacão Katrina, o Superdome havia se tornado um dos símbolos da tragédia que atingiu Nova Orleans. Mais de um ano depois, o estádio estava novamente pronto para receber o Saints. Naquela noite, diante de 70.003 pessoas, New Orleans derrotou o Atlanta Falcons por 23–3.
É difícil encontrar uma imagem que represente melhor a relação entre o Saints, o Superdome e a cidade de Nova Orleans.
Naquela noite, o futebol americano voltou para casa.
A volta para casa não será tranquila
Diferente do que muitos torcedores podiam esperar, Saints e Raiders chegam à Semana 3 entregando mais do que as expectativas.
No comando dos Raiders está Klint Kubiak — ex-coordenador ofensivo do Saints em 2024 e campeão do Super Bowl em 2025 pelos Seahawks. Em sua primeira oportunidade como Head Coach na carreira, Kubiak e os Raiders chegam a Nova Orleans com 2–0, depois de vencerem Miami na estreia e derrotarem os Chargers em Los Angeles. Dois adversários que vêm apresentando baixo desempenho nestas primeiras semanas, é verdade. Mas isso não diminui o feito dos Raiders.
A defesa de Las Vegas é um dos principais motivos para o início 2–0. Os Raiders permitiram apenas 13,5 pontos por jogo e vêm conseguindo pressionar os quarterbacks sem precisar mandar blitz o tempo todo.
No ataque, alguns nomes em especial vão exigir atenção.
O principal talvez seja Ashton Jeanty. O running back soma 150 jardas em 44 carregadas nas duas primeiras semanas. Porém, contra os Chargers na Semana 2, foram apenas 48 jardas. Ainda assim, a defesa de New Orleans teve certa dificuldade com o jogo terrestre nas duas primeiras semanas e vai precisar encontrar uma resposta contra um jogador talentoso como Jeanty.
Comandando o ataque veremos Kirk Cousins, que no ano passado venceu o Saints por duas vezes quando ainda era quarterback dos Falcons. Ele chega ao Superdome com 6 TDs em dois jogos, mas também com 3 interceptações, e New Orleans precisa pressioná-lo.
Brock Bowers, um dos principais alvos desse ataque, pode ser peça fundamental neste jogo. Embora o tight end tenha aparecido no injury report desta semana com uma lesão no joelho e tenha o status questionável, a expectativa é que jogue.
Lidando com as lesões

MIchael C. Hebert/New Orleans Saints
Os Saints chegam à Semana 3 vivendo um bom momento, e as expectativas sobre Tyler Shough são cada vez mais altas. Apesar do otimismo, Kellen Moore ainda tem coisas a resolver: o jogo corrido continua sendo uma preocupação e agora existe uma nova dúvida na linha ofensiva.
Kelvin Banks Jr., que havia sido titular em todos os jogos desde que chegou à NFL, sofreu uma lesão no tornozelo contra os Ravens, passará por cirurgia e perderá um bom tempo na temporada. Quem assume a posição de left tackle é Asim Richards. Apesar de entrar na fogueira na Semana 2, o tackle teve uma boa atuação, passando confiança à torcida.
E isso pode ser especialmente relevante contra uma defesa dos Raiders que vem jogando bem no início de temporada e que tem do outro lado Maxx Crosby.
O Saints já enfrentou Aidan Hutchinson e Trey Hendrickson nas duas primeiras semanas. A diferença é que, desta vez, Crosby deve alinhar contra Richards em boa parte dos seus snaps.
Os Raiders estão gerando pressão em 61,8% dos dropbacks, a maior taxa da NFL depois de duas semanas, e já têm oito sacks. Ao mesmo tempo, Shough já foi derrubado oito vezes.
Sem dúvida, um ponto-chave para ficarmos de olho.
Um jogo aéreo de respeito
Se a defesa dos Raiders ainda não enfrentou grandes ataques, o Saints tem o que precisa para de fato ameaçá-los.
Tyler Shough e Chris Olave vêm tendo, até o momento, uma temporada de elite. Foram duas grandes atuações da dupla. O quarterback lidera a NFL com 662 jardas passadas, e Olave é o segundo em jardas recebidas, com 268.
O dia chegou, amigos. Precisamos elogiar ele: Juwan Johnson. O tight end apareceu muito bem em momentos importantes na vitória contra Baltimore e é mais uma opção para que Shough distribua o jogo.
Mas, apesar de confiar muito no ataque aéreo neste início de temporada, o torcedor espera não precisar de atuações heroicas de seu quarterback em todas as partidas e, para isso, Kellen Moore precisa descobrir como iniciar bem os jogos e correr melhor com a bola.
Nova semana, velhos problemas
Se existe um problema que Kellen Moore precisa resolver com urgência, é a capacidade do Saints de começar bem as partidas. A vitória em Baltimore não apagou uma tendência que já dura tempo demais: são 23 jogos consecutivos sem que New Orleans termine o primeiro quarto à frente. E, em 13 das 19 partidas de Moore como head coach, o Saints sequer conseguiu marcar no primeiro período.
Nas duas primeiras semanas de 2026, a história se repetiu. Contra Detroit, o Saints não marcou nenhum ponto no primeiro tempo. Em Baltimore, novamente o time começou atrás e foi para o intervalo perdendo por 14 a 6.
Parte da solução passa necessariamente pelo jogo terrestre. Depois de uma temporada de 2025 em que o Saints terminou entre os piores ataques terrestres da NFL, a expectativa era de evolução com a chegada de Travis Etienne. Mas, até aqui, New Orleans não mostrou bons resultados: foram apenas 91 jardas contra Detroit e 65 contra Baltimore, com médias de 3,6 e 2,4 jardas por tentativa, respectivamente.
É hora de voltar para casa
Talvez este jogo tenha um significado especial para os torcedores de New Orleans. Se, há 20 anos, o Saints voltou ao Superdome carregando uma cidade inteira nas costas, o futebol representou algo muito maior do que o resultado de uma partida.
Neste domingo, a estreia dos Saints em casa traz outro significado. Um time que deseja muito viver seus melhores dias novamente para retribuir à cidade e aos torcedores tudo aquilo que recebeu por anos e anos.
Se você, torcedor, vive um otimismo nesse momento, desfrute. Você tem motivos para isso. Estamos ansiosos para descobrir aonde essa jornada nos levará em 2026.
Depois de duas semanas viajando, chegou a hora de voltar para casa.
Imagem de capa: Imagem do interior do Superdome durante seu jogo de reabertura em 2006 na semana três entre New Orleans Saints x Atlanta Falcons. Michael C. Hebert/New Orleans Saints
Texto por Mateus Bernardes