pré jogo

PRÉ-JOGO: Ainda temos no que acreditar?

Mateus Bernardes
Mateus Bernardes 17 out 2026 · 3h atrás

A temporada regular passa extremamente rápido. São meses de espera enquanto cada torcedor acumula expectativas sobre o futuro da sua franquia. A NFL é assim: permite ao torcedor sonhar porque sabe que, de uma temporada para outra, tudo pode mudar.

Mas quão rápido uma temporada pode acabar? Três equipes hoje têm cinco derrotas em cinco jogos. Outras quatro conquistaram apenas uma vitória, incluindo New Orleans. Para muitos, seria hora de abandonar a temporada e pensar no próximo Draft. Mas, para Kellen Moore, simplesmente não pode ser assim.

Depois da manifestação pública de Gayle Benson, proprietária da franquia, sobre o início da temporada, os Saints e, principalmente, seu head coach chegam à sexta semana pressionados a apresentar respostas. Vencer e manter a temporada viva é primordial, mas mostrar que existe um plano e que a equipe está preparada para executá-lo será tão importante quanto.

A cobrança vindo do topo

Depois da atuação decepcionante contra os Falcons, em uma partida que tinha um significado especial para a torcida e para a cidade, os Saints tiveram sua pior apresentação na temporada diante dos Vikings. Se contra Atlanta o problema foi associado à falta de preparação para responder ao jogo terrestre dos Falcons, na semana seguinte a equipe passou longe de saber como lidar com uma defesa agressiva.

O resultado foi um time sem alma, que passou boa parte do jogo sem produzir de maneira consistente no ataque e, mais uma vez, não soube fazer os ajustes necessários.

Foi nesse cenário que Gayle Benson decidiu se manifestar publicamente. A proprietária afirmou que leva a situação a sério e está disposta a tomar as decisões necessárias para melhorar a equipe. Mais do que isso, destacou a importância da preparação, uma palavra que ganhou relevância diante das últimas atuações.

A declaração também pode ser entendida como uma resposta às críticas de torcedores que questionam o nível de envolvimento da proprietária na condução da franquia. Independentemente da motivação, porém, a mensagem elevou a pressão sobre a organização.

O técnico do New Orleans Saints, Kellen Moore, acompanha a partida durante o segundo tempo contra o Seattle Seahawks, no Lumen Field. Crédito obrigatório: Joe Nicholson-Imagn Images.

Isso significa que Kellen Moore está prestes a perder o emprego? Não necessariamente. Existe um contexto importante: os Saints estão em processo de reconstrução e ainda apresentam limitações no elenco. Por isso, uma eventual mudança no comando técnico não é uma consequência automática de um começo ruim.

Mas o treinador precisa mostrar evolução. O problema não está apenas na campanha de 1-4, mas na repetição de erros e na dificuldade de identificar uma identidade para o time.

Qual Tyler Shough veremos em campo?

Resiliência.

Tyler Shough precisa mostrar, mais uma vez, que é capaz de deixar a pior atuação da sua carreira para trás e dar a volta por cima.

O quarterback ainda está no início de sua trajetória como titular na NFL e já apresentou motivos para justificar a expectativa dos torcedores em relação à sua evolução. Sua capacidade de lançar a bola e a maneira como reconhece os próprios erros são sinais positivos, mas ainda há aspectos do seu jogo que precisam amadurecer.

O quarterback do New Orleans Saints, Tyler Shough (6), lança a bola sob pressão do linebacker do Minnesota Vikings, Blake Cashman (51), em New Orleans, no domingo, 11 de outubro de 2026. Foto: Brett Duke.

Um deles é a utilização da própria mobilidade.

Shough tem demonstrado disposição para permanecer no pocket e procurar seus recebedores, mas precisa reconhecer melhor os momentos em que pode avançar com as próprias pernas, principalmente quando a linha ofensiva não consegue afastar a pressão. Quando as opções de passe não aparecem, conquistar algumas jardas em uma corrida pode ser suficiente para manter uma campanha viva, converter uma terceira descida e obrigar a defesa adversária a respeitar mais uma ameaça.

Essa mudança também pode ajudar a aliviar a pressão sobre um jogo terrestre que não tem funcionado como esperado.

A capacidade de improvisar é importante, mas a comissão técnica também precisa criar alternativas para enfrentar defesas cada vez mais agressivas e dar ao ataque condições de permanecer mais tempo em campo.

E existe um exemplo recente que pode servir de referência.

Na derrota para os Vikings, os Saints conseguiram construir uma campanha de 15 jogadas e mais de sete minutos. Não foi uma sequência baseada em grandes jogadas, mas em avanços graduais, proteção suficiente, corridas produtivas e passes consistentes. O desafio é transformar essa exceção em algo mais frequente.

O elenco tem jogadores capazes de criar jogadas espetaculares. O que falta é construir campanhas consistentes, que permitam à defesa descansar e ao time controlar a partida e construir o placar sem depender de uma reação desesperada no fim.

Mais previsível, impossível

Apesar dos questionamentos sobre a profundidade do elenco, o problema do ataque dos Saints não está apenas na falta de opções, mas em como elas são utilizadas. Chris Olave, Devaughn Vele e Juwan Johnson vêm produzindo, e Tyler Shough já mostrou que tem condições de encontrar seus recebedores e criar boas jogadas. A questão é transformar essas peças em um sistema ofensivo mais consistente.

Olave segue entre os principais recebedores da liga, com 537 jardas recebidas, a segunda maior marca. É um número expressivo, principalmente considerando as dificuldades que New Orleans vem enfrentando para mover a bola. Mas depender demais das grandes atuações de um único jogador para fazer o ataque funcionar é arriscado.

Quando o jogo terrestre não ameaça, a proteção não se sustenta e o quarterback procura seu melhor recebedor a todo momento, o ataque se torna previsível — e quem sai ganhando é a defesa adversária.

Contra os Giants, os Saints precisam mostrar evolução e diversificar suas opções ofensivas. Isso passa por estabelecer o jogo terrestre, utilizar movimentações antes do snap, variar o posicionamento dos recebedores e encontrar maneiras de colocá-los em condições favoráveis para receber a bola.

Olave segue sendo a principal referência do ataque e deve continuar recebendo oportunidades. Justamente por isso, porém, New Orleans precisa evitar que o sistema dependa exclusivamente dele. Se os adversários souberem de onde vem a principal ameaça, terão mais facilidade para antecipar as jogadas e dificultar a vida de Shough.

O reencontro

Dizem que, depois daquela lesão de Jameis Winston contra os Buccaneers, no Superdome, as coisas mudaram em Nova Orleans. E para pior! A equipe, que vinha apresentando boas atuações, não conseguiu manter o mesmo ritmo sem o então camisa 2. Neste domingo, os caminhos de Winston e dos Saints voltam a se cruzar.

Agora pelos Giants, o quarterback traz uma combinação peculiar de talento e imprevisibilidade. Tem braço para explorar praticamente todas as regiões do campo e capacidade de prolongar jogadas, mas também pode assumir riscos que terminam em turnovers. Um show à parte.

Para a defesa de New Orleans, o desafio será justamente lidar com essas duas faces de seu jogo.

New Orleans permitia uma taxa de passes completos de 70,6%, uma das piores marcas da liga, e havia registrado apenas uma interceptação. O sistema de marcação por zona vinha cedendo recepções, especialmente pelo meio do campo, permitindo que os adversários avançassem com passes curtos e intermediários.

É nesse cenário que Malik Nabers se torna uma ameaça importante. O recebedor vinha de duas partidas consecutivas com mais de 100 jardas e tem capacidade para transformar uma recepção em uma grande jogada. Isaiah Likely também oferece uma alternativa pelo meio do campo, justamente uma região em que os Saints precisam melhorar sua cobertura.

Os Giants também têm condições de explorar outra fragilidade importante de New Orleans: a defesa terrestre, que cede cerca de 150 jardas por jogo. Para piorar, o linebacker Kaden Ellis segue de fora pela terceira partida consecutiva. Se conseguirem avançar pelo chão com regularidade, os Giants poderão controlar melhor o ritmo da partida e criar situações mais favoráveis para o jogo aéreo.

O caminho para a defesa é conhecido: pressionar Jameis Winston. Chase Young, com quatro sacks nas primeiras cinco partidas, e Carl Granderson terão papel fundamental nesse confronto. Reduzir o tempo disponível para Winston tomar decisões pode forçá-lo a acelerar os lançamentos e aumentar as chances de erro.

Mas essa pressão também depende da secundária. Os jovens cornerbacks Quincy Riley e Kool-Aid McKinstry vêm recebendo muitas críticas pelas últimas atuações, precisam mostrar evolução na cobertura tirando as opções no fundo do campo e forçando Winston a segurar mais a bola, dando mais tempo para a linha pressionar o quarterback adversário.

É aí que pode aparecer uma marca tão característica de Winston: os turnovers. Se a defesa conseguir incomodá-lo, limitar suas opções de passe e obrigá-lo a tomar decisões sob pressão, poderá transformar a imprevisibilidade do quarterback em oportunidades para os Saints.

Back to the basics

O torcedor não está cobrando nada demais. No fim das contas, as cobranças são pelo básico: os fundamentos do jogo, o mínimo necessário para ser competitivo. Mesmo em um dia inspirado, uma equipe pode sair de campo sem a vitória, e isso faz parte do esporte. O que ninguém aceita é a sensação constante de que o time não se preparou para o confronto, acompanhada de tantos erros de execução.

Ao vaiar a equipe e deixar as arquibancadas mais cedo nos últimos jogos, a torcida deu um recado muito claro. Não se trata apenas de vencer, mas a forma com que a equipe está se apresentando é simplesmente inaceitável.

Os Saints precisam correr melhor com a bola, proteger Shough, colocar pontos no placar ainda no primeiro tempo e limitar a produção ofensiva dos Giants. São fundamentos simples, mas que a equipe não tem conseguido executar de maneira consistente há algum tempo.

Também será fundamental evitar que o jogo se transforme em uma sequência de campanhas curtas, turnovers e oportunidades desperdiçadas. Quando o ataque não consegue permanecer em campo, a defesa acaba sendo obrigada a suportar uma carga excessiva, e a receita para o desastre está feita.

O confronto deste domingo representa, talvez, a última oportunidade para Kellen Moore mostrar que consegue ajustar a equipe e dar à torcida esperança de que o trabalho ainda tem uma direção.

Para quem ainda tiver disposição para acompanhar os Saints, a equipe entrará em campo neste domingo, às 14h (horário de Brasília), com transmissão exclusiva pelo NFL Game Pass no DAZN.

Texto por Mateus Bernardes

Imagem de capa: New Orleans Saints fans watch the second half of an NFL football game against the Tampa Bay Buccaneers in New Orleans on Sunday, October 26, 2025. Tampa Bay Buccaneers defeated the New Orleans Saints 23-3. (Photo by Brett Duke, The Times-Picayune)

Please follow and like us: