PRÉ JOGO: Acabou a paz!

Protestos na frente do CT e muros pichados em Nova Orleans. Torcidas organizadas invadindo o treino para cobrar os jogadores. Essa não é a realidade por lá, mas a indignação do torcedor ficou escancarada após o vexame da última partida.
Diante do Superdome lotado, numa noite para celebrar os 20 anos do retorno para casa e contra o seu maior rival, o Saints foi atropelado. Vaias no intervalo da partida e arquibancadas esvaziando antes do fim do terceiro quarto.
Talvez a expectativa criada pelo torcedor desde o final da temporada passada, alimentada por bons momentos nas semanas iniciais, tenha sido quebrada de um jeito bastante doloroso. E de momentos dolorosos nós, infelizmente, entendemos.
Há momentos em uma temporada da NFL em que uma vitória vale mais do que apenas somar na coluna de resultados. Para o New Orleans Saints, o confronto deste domingo contra o Minnesota Vikings ganha outro significado, desenhado pelo próprio time.
Depois de quatro semanas, a equipe soma apenas uma vitória e chega ao quinto jogo da temporada tentando responder a uma derrota dolorosa para o Atlanta Falcons, justamente em uma noite que deveria ser de celebração para a cidade e para a torcida.
O placar de 45 a 24 no Monday Night Football deixou marcas que vão além do resultado. O Saints foi dominado em diferentes momentos da partida e voltou a apresentar problemas que vêm acompanhando a equipe desde o início da temporada. Agora, diante de um adversário que ainda não perdeu em 2026, New Orleans precisa encontrar respostas rapidamente.

O jogo também encerra uma sequência de três partidas consecutivas no Caesars Superdome. O Saints ainda não venceu em casa. Depois de perder para o Las Vegas Raiders e para Atlanta, uma nova derrota significaria três tropeços seguidos diante da própria torcida.
A campanha ainda está no começo, mas a margem para continuar repetindo os mesmos erros diminui a cada semana.
Um adversário invicto
O desafio não será simples. O Minnesota Vikings chega a Nova Orleans invicto na temporada, sustentado principalmente por uma defesa que tem sido decisiva. Sob o comando do coordenador defensivo Brian Flores, a equipe tem conseguido pressionar os adversários e limitar sua produção ofensiva.
Curiosamente, o retrospecto perfeito não significa que Minnesota tenha apresentado um ataque dominante. O time encontrou dificuldades para produzir pontos com regularidade e conseguiu duas vitórias sem marcar sequer um touchdown no ataque. Nos últimos três jogos, a equipe anotou apenas um touchdown ofensivo, dependendo da defesa e dos times especiais para continuar vencendo.
Esse é um ponto importante para o Saints. Embora o retrospecto indique uma equipe superior neste momento, os Vikings não são um adversário sem vulnerabilidades.
O problema é que New Orleans também não apresenta um nível de consistência que a coloque em uma posição favorável na partida.
Kellen Moore pressionado pela primeira vez

Quando Kellen Moore chegou a Nova Orleans, a expectativa era de que o treinador ajudasse a construir uma nova identidade para a equipe, especialmente no ataque. Depois de uma temporada de estreia com seis vitórias e onze derrotas, o segundo ano deveria representar um passo adiante no processo de reconstrução.
Até aqui, porém, os resultados não mostram a evolução esperada. Pelo contrário, a equipe convive com velhos erros.
O início lento tem sido uma das principais marcas do Saints. A equipe chega a esta semana tendo ficado atrás por pelo menos dez pontos em 16 das 21 partidas disputadas sob o comando de Moore desde 2025. Nos quatro primeiros jogos desta temporada, foram apenas seis pontos marcados no primeiro quarto, levantando questionamentos sobre a preparação da equipe para as partidas.
Os números ajudam a explicar a crescente impaciência da torcida. Mais do que perder partidas, o Saints tem demonstrado dificuldade para entrar nos jogos em condições de competir. Contra Atlanta, isso ficou evidente desde o início, quando a equipe permitiu que o rival construísse uma vantagem confortável e passou boa parte da noite tentando reagir.
Também preocupa a dificuldade de corrigir problemas que já apareceram em semanas anteriores. O jogo terrestre não tem oferecido a sustentação necessária ao ataque, a defesa tem cedido espaço em momentos importantes e os erros individuais continuam custando caro.
Moore reconheceu sua responsabilidade depois da derrota para os Falcons, admitindo que não preparou a equipe adequadamente e que o desempenho foi insuficiente nas três fases do jogo. A declaração demonstra consciência dos problemas, mas o próximo passo precisa acontecer dentro de campo.
Não se trata de afirmar que o cargo do treinador está imediatamente ameaçado. Ainda assim, é natural que a cobrança aumente quando uma equipe não apresenta evolução.
Uma vitória sobre os Vikings não resolverá todas as questões, mas pode tranquilizar o ambiente e oferecer um ponto de partida para a sequência da temporada. Uma nova derrota, por outro lado, pode ampliar as críticas sobre a capacidade da comissão técnica de colocar a equipe no caminho esperado.
O maior desafio de Shough até aqui
Se a defesa de Minnesota tem sido um dos principais motivos para a campanha invicta, o quarterback Tyler Shough tem sido um dos pontos positivos em Nova Orleans.
Talvez a maior questão no início da temporada fosse: Tyler Shough é o nosso quarterback para o futuro? Pelo que vimos até aqui, parece que ele começa a se consolidar como uma resposta para essa pergunta.
Porém, o sistema de pressão de Brian Flores merece atenção especial.
O coordenador dos Vikings é conhecido pela utilização agressiva de blitzes e por criar situações em que o quarterback precisa tomar decisões rapidamente. Para um ataque que ainda depende muito dos passes de Shough, a capacidade de proteger o pocket e encontrar alternativas contra a pressão será determinante.
E aí vem mais um problema: apesar dos bons números de Shough na temporada, o Saints tem sofrido para manter um pocket limpo.
A resposta pode estar em passes rápidos, boas leituras antes do snap e na capacidade dos recebedores de ganhar jardas depois da recepção. Juwan Johnson, que tem sido importante nesse aspecto, pode oferecer uma alternativa para Shough escapar da pressão e manter as campanhas ofensivas vivas.
Outro nome a observar é Devaughn Vele, que vem chamando atenção pela capacidade de realizar recepções difíceis e oferecer uma opção física no jogo aéreo. Em uma partida na qual o tempo disponível para lançar pode ser limitado, esses alvos terão papel importante.
Shough também precisará dar uma resposta à torcida, deixando para trás o colapso do último quarto contra os Raiders e a derrota para Atlanta.
E agora, Brandon Staley?
Se o ataque terá de lidar com a pressão de Brian Flores, a defesa do Saints precisará apresentar uma resposta muito mais consistente contra o jogo terrestre de Minnesota.
A derrota para Atlanta expôs novamente os problemas na contenção das corridas e na execução dos tackles. Bijan Robinson terminou a partida com 145 jardas terrestres e dois touchdowns, enquanto os Falcons conseguiram explorar os espaços da defesa de New Orleans e controlar boa parte do ritmo do confronto.
O desafio agora será evitar que os Vikings encontrem o mesmo caminho. O linebacker Kaden Ellis, cuja ausência foi sentida na última partida, segue fora com uma lesão na panturrilha e pode fazer muita falta.
Já na linha defensiva, o Saints contará com o retorno de Davon Godchaux, que pode ser importante para reforçar o interior da linha contra o jogo terrestre adversário.
O calouro Christen Miller, cuja ausência foi bastante questionada após participar da semana de treinamentos, está questionable para domingo. Ele ficou fora do treino devido a uma doença não especificada.
Uma defesa incapaz de limitar as corridas corre o risco de permitir que o adversário controle o relógio, mantenha o ataque do Saints fora de campo e escolha situações favoráveis para explorar o jogo aéreo.
Vai ou racha?
O Saints não precisa resolver todos os seus problemas em uma única tarde, mas precisa mostrar à torcida um caminho para superar dificuldades que vêm da temporada passada. O apoio da torcida ao treinador Kellen Moore foi substituído pelas cobranças.
Vencer os Vikings significaria interromper a sequência negativa em casa, melhorar a campanha para 2-3 e recuperar parte da confiança necessária para manter o trabalho andando com um mínimo de tranquilidade. Além disso, daria à equipe uma oportunidade de provar que os resultados das primeiras semanas não definem o restante da temporada.
A derrota no domingo seria desastrosa: deixaria o Saints com uma campanha de 1-4 e três derrotas consecutivas no Caesars Superdome. Nesse cenário, a pressão sobre Kellen Moore aumentaria ainda mais.
Domingo, às 14h — transmissão pelo NFL Game Pass, via DAZN.
Texto por Mateus Bernardes