Coluna do Zé

Coluna do Zé: Não, não podemos

Jose Eduardo Zanon
Jose Eduardo Zanon 03 out 2026 · 7h atrás

Por José Eduardo Zanon

Salve, torcedor dos Saints!

Estou aqui querendo responder à pergunta que fiz na Coluna do Zé da última semana, “já podemos empolgar?”, mas essa já era uma pergunta retórica. E a resposta sempre será, em se tratando da instituição New Orleans Saints: “melhor não”.

Os Saints fizeram seu primeiro jogo em casa na temporada, na semana 3, contra o Las Vegas Raiders, na condição de favorito, e sofreu um apagão no último quarto, perdendo o jogo por 35 a 27.

O ataque terrestre deu sinal de vida, mas precisa melhorar muito; mas a lesão de Travis Etienne Jr. (3) compromete esse desenvolvimento (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Um começo de jogo diferente

Mas não muito. Na primeira posse dos Saints, um three-and-out, com muita pressão de Maxx Crosby e companhia para cima de Tyler Shough. Parecia que ia ser um desastre total. Ainda mais quando, na primeira campanha, sem dificuldade nenhuma, os Raiders avançaram, principalmente com o tight end Brock Bowers no seu primeiro jogo na temporada, e anotaram um field goal de 41 jardas, com Matt Gay.

A diferença é que os Saints anotaram o seu primeiro touchdown em um primeiro quarto nessa temporada, e pela primeira vez em 23 jogos terminou os primeiros 15 minutos na frente no placar. Pois é.

O recebedor Chris Olave (12) foi muito bem marcado o jogo todo, mas mostrou muita qualidade nas recepções (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

A linha ofensiva fez um trabalho melhor, dando mais tempo para Tyler Shough, e o running back Travis Etienne Jr. começou a mostrar serviço, mesmo que discretamente. O ataque foi avançando bem, em uma campanha de quase sete minutos, com Chris Olave e uma corrida de 36 jardas de Shough, finalizando com um touchdown em um passe da linha de duas jardas para o tight end Juwan Johnson.

Mas tudo parecia um pouco estranho, e Daniel Carlson teve o extra point bloqueado. No segundo quarto, foram dois field goals para os Raiders, no começo do segundo quarto (37 jardas) e no estouro do relógio (25 jardas), além de terem anotado um touchdown com o tight end Michael Mayer, em um passe de três jardas.

Enquanto isso, o ataque dos Saints estava querendo fazer sua parte e chegaram novamente à endzone, no começo do two-minute warning, em um passe de três jardas para o tight end Noah Fant anotar seu primeiro touchdown no jogo. Mas foi só isso, e os Saints foram para o vestiário perdendo em casa, 13 a 16.

O tight end Juwan Johnson (83) voando baixo para fazer a recepção do seu primeiro touchdown do jogo (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Da alegria ao desespero

O terceiro quarto começou, e parecia que tudo ia dar certo. Começa com um three-and-out dos Raiders e os Saints atravessam o campo para anotar um touchdown novamente com Juwan Johnson, em um passe da linha de uma jarda.

Em seguida, o special teams força um fumble do retornador dos Raiders, com Anfernee Jennings, recuperado por Jordan Howden, permitindo que a campanha seguinte começasse da linha de 32 do campo dos Raiders. E os Saints anotaram um touchdown, novamente com Noah Fant, em um passe de 16 jardas. Nessa hora, placar em 27 a 16, torcida empolgada, “encontramos um quarterback”. Só que daqui para a frente, é só ladeira abaixo.

O tight end Noah Fant (87) precisando fazer um contorcionismo para anotar o seu segundo touchdown no jogo contra os Raiders (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Os Raiders voltam a jogar e em uma rápida campanha anotam um touchdown com o running back Mike Washington. Tudo bem, na tentativa de conversão para dois pontos, a defesa dos Saints se comportou bem e o jogo ficou em 27 a 22, Saints ainda na frente.

E depois de dois punts, começa o último quarto e aconteceu a jogada que mudou a partida. Eu até considero uma decisão correta da arbitragem. Mas se considerar o que foi marcado na semana 1, contra Jared Goff, essa marcação é simplesmente absurda. Com a intenção clara de passar a bola para a frente e com o movimento de passe iniciado com a mão para cima, Shough sofreu um sack e o passe foi ao chão, recuperado por Crosby. A arbitragem considerou esse passe para frente como fumble. Dois pesos, duas medidas, desde que seja para prejudicar os Saints. Campanha curta, touchdown anotado por Cody White, em um passe de quatro jardas, com uma tentativa de conversão de dois pontos frustrada a seguir. Placar em 27 a 28.

Vambora, nada está perdido, falta muito tempo no relógio. Em uma tentativa de passe para Bryce Lance, Shough sofreu muita pressão de Crosby, porque ficou com a bola muito tempo dentro do pocket, e lançou no desespero nos braços de um defensor, que levou a bola até a redzone, sofreu um fumble forçado por Johnson, mas a bola foi recuperada pelo defensive tackle dos Raiders, Adam Butler, a quatro jardas da endzone. E Brock Bowers anota seu touchdown (curiosidade: seis touchdowns combinados anotados por tight ends, maior marca da história da NFL). Placar em 27-35, uma posse de bola apenas.

A defesa toda teve muito problema para conter os avanços com o tight end dos Raiders, Brock Bowers (89); na imagem, temos Anfernee Jennings (33) na marcação e Pete Werner (20) no tackle (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Tem muita coisa errada…

Mas o mental do time foi embora, a comissão técnica se perdeu e nada mais deu certo. Além do “fumble” anotado pela arbitragem, Tyler Shough sofreu outro fumble, na campanha seguinte, em um sack por Jeremy Chinn e forçado por Maxx Crosby, já chegando no two-minute warning.

O New Orleans Saints ainda gasta seus três tempos, força o punt e recupera a bola com 1:44 restantes no relógio. Mas tudo só para Juwan Johnson também sofrer um fumble, já no campo de ataque, com 53 segundos restantes, bola recuperada pelos Raiders, e fim de jogo. Vitória do quarterback Kirk Cousins e do treinador Klint Kubiak, no Caesars Superdome.

Os defensores Khristian Boyd (97) e Cam Jordan (94) fizeram o possível para conter Kirk Cousins (8) (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

O problema não é o esse suposto fumble. É a falta de consistência. Ninguém consegue me convencer de que a jogada é diferente da jogada com Goff que resultou em um touchdown anulado para a defesa dos Saints. Parece que a NFL e os árbitros odeiam o New Orleans Saints e vão fazer o possível para prejudicar os Saints em jogadas chave para decidir os jogos. Foi assim o jogo inteiro, ao não anotar interferências de passes e jogadas de holding, ao anotar jogadas de roughing the passer, e não marcar as mesmas coisas contra o outro time. Beira o ridículo.

Não quero dizer que o New Orleans Saints perdeu por isso, porque não foi só isso. O time derreteu no último quarto, e não tem como ganhar entregando a bola em quatro turnovers em quatro campanhas seguidas. Chamadas ruins, decisões equivocadas, escolhas duvidosas. Tudo errado. Derrota na certa.

Mas tem muita coisa boa

Tyler Shough completou 29 de 42 passes para 250 jardas aéreas, com um recorde pessoal de quatro passes para touchdown, uma interceptação e um rating de passe de 99,5. No primeiro quarto, Shough registrou uma corrida de 36 jardas, a mais longa de sua carreira.

Travis Etienne Jr. teve 13 corridas para 57 jardas e também adicionou duas recepções para 13 jardas. Alvin Kamara registrou 9 corridas para 36 jardas e uma recepção para cinco jardas. Uma melhora do jogo terrestre, mas ainda muito pouco.

O running back Alvin Kamara precisa entregar mais, pois não estão faltando bloqueios (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

Chris Olave alcançou 4.000 jardas recebidas na carreira, além de ultrapassar 100 jardas hoje (107) em nove recepções, para assumir a nona posição de maiores recebedores da história dos Saints, e com seu 14º jogo com mais de 100 jardas recebidas na carreira, ele superou Jimmy Graham e assumiu o quinto lugar na história do clube. O tight end Juwan Johnson registrou oito recepções para 53 jardas e foi a quarta vez que Johnson teve duas recepções para touchdown em sua carreira. Noah Fant terminou com quatro recepções para 33 jardas, e dois touchdowns.

O defensive tackle Khristian Boyd registrou seu primeiro sack na carreira, e o edge Chase Young registrou dois sacks, terceira vez na carreira, e a segunda para os Saints.

Nova chance no Superdome

Nem tudo está perdido, é claro. Longe disso, inclusive. Foi um jogo bom, meio estranho demais para mim, mas que estava tudo indo bem, até o “erro” da arbitragem e o apagão mental do ataque no último quarto. A defesa se comportou bem por boa parte do jogo, mas também falhou demais nos momentos decisivos.

Mas sim, é bom momento do time. Só precisam ter consistência, e não se desesperar. Mas quem conhece os Saints sabe como é. Se você chegou agora, seja bem-vindo, e se prepara.

Porque o que importa mesmo é o próximo jogo. Novamente em casa, o New Orleans Saints recebe o seu rival, o Atlanta Falcons, em horário nobre, no Monday Night Football, com transmissão na ESPN e no DAZN, às 21h15 da segunda-feira.

E o amor ou ódio da torcida por esse time, nessa temporada, vai depender muito do resultado desse jogo específico.

Vá conferir a análise da nossa equipe sobre o jogo da semana 3 e ouvir as expectativas para o restante da temporada no We Dat Podcast, clicando aqui.

Bora, Saints!

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Foto de capa: Maxx Crosby (98) caçou Tyler Shough (6) o tempo todo (Michael C. Herbert / New Orleans Saints)

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