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PRÉ-JOGO: Vinte anos depois, de volta a uma noite que ainda inspira

Mateus Bernardes
Mateus Bernardes 04 out 2026 · 3h atrás

Monday Night Football. Superdome. Saints e Falcons. Simplesmente impossível não voltar 20 anos no tempo.

Em 2006, esse encontro representou muito mais do que dois rivais de divisão se enfrentando e criou uma das imagens mais importantes da história do New Orleans Saints: Steve Gleason bloqueando o punt e Curtis Deloatch recuperando na end zone para o primeiro touchdown no Superdome pós-Katrina.

Naquele momento, o barulho tomou conta e as mais de 70 mil pessoas celebraram mais do que uma vitória em campo. Era a vitória de uma cidade inteira que, depois de muito sofrimento, encontrava seus motivos para celebrar.

25 de setembro de 2006, contra o Atlanta Falcons no Louisiana Superdome – Na reabertura do Superdome após os danos sofridos um ano antes por conta do Furacão Katrina, o safety Steve Gleason bloqueou um punt no primeiro quarto, que foi recuperado pelo cornerback Curtis DeLoatch para um touchdown, dando início à vitória dos Saints por 23 a 3 – Créditos: New Orleans Saints.

Falcons Hate Week

Não tem jeito, as torcidas não se gostam e os jogadores sabem o que é essa rivalidade. Depois de três semanas, o Saints chega para seu primeiro confronto divisional e ambos chegam ao confronto com uma campanha de 1-2, mas por caminhos diferentes.

New Orleans abriu a temporada com a derrota por apenas um ponto para Detroit, na sequência venceu Baltimore de forma surpreendente fora de casa, mas vem de derrota em casa deixando escapar uma vantagem de 27–16 contra Las Vegas e sofrendo 19 pontos sem resposta no segundo tempo.

Os Falcons, por outro lado, foram derrotados nas duas primeiras semanas, incluindo uma derrota para Carolina por 34 a 3 na semana 2, mas responderam da melhor maneira possível: venceram Green Bay por 35 a 14 de maneira improvável fora de casa, em uma partida que recolocou os Falcons no radar da NFC Sul.

Em uma divisão tão aberta como a NFC Sul, os jogos dentro da divisão ganham uma importância ainda maior. Para o Saints, uma derrota pode ser um balde de água fria e colocar o time em uma situação complicada na divisão, além de representar a segunda derrota seguida em casa. Por outro lado, uma vitória levaria New Orleans a abrir uma pequena vantagem para os Falcons, que ficariam com duas derrotas dentro da divisão.

Uma montanha-russa dentro dos jogos

Se existe uma palavra que resume as três primeiras semanas de New Orleans, talvez seja inconsistência.

Contra Detroit, o Saints mostrou capacidade de reagir e chegou a buscar uma desvantagem de 21 pontos. Em Baltimore, jogou quatro quartos de bom futebol e conquistou uma vitória convincente. Contra Las Vegas, fez talvez seu melhor primeiro tempo da temporada, abriu 11 pontos em um jogo que parecia estar sob controle. Só que o quarto período irreconhecível do ataque cobrou seu preço. Vieram os turnovers, a queda de produção ofensiva e 19 pontos consecutivos dos Raiders.

O resultado foi a primeira derrota da temporada em que o Saints entrou no quarto período com vantagem. Se os Saints querem sair do Superdome com uma vitória, será necessário jogar por 60 minutos.

De Green Bay para o Superdome: o teste de Penix

Do lado de Atlanta, Michael Penix Jr. vem para sua segunda partida nesta temporada. A posição de quarterback foi um ponto de incerteza para os Falcons antes da temporada começar. Michael Penix e Tua Tagovailoa disputavam a posição de titular, mas ambos iniciaram a temporada lesionados, e quem conduziu o ataque de Atlanta foi Cooper Rush.

Penix assumiu o ataque na semana 3 e conquistou uma vitória importante em Green Bay, dominando os Packers em todos os aspectos do jogo. Foi apenas a sexta vitória de um quarterback dos Falcons no Lambeau Field.

Mas existe uma questão que ele ainda precisa responder: consegue transformar uma grande atuação em consistência?

O defensive end do New Orleans Saints, Chase Young (99), enfrenta o offensive tackle do Atlanta Falcons, Jake Matthews (70). (Foto da AP/Danny Karnik)

Em 13 partidas como titular, Penix ainda não conseguiu vencer duas partidas consecutivas e agora terá um grande desafio contra seu rival de divisão, fora de casa, diante do destaque da defesa de New Orleans nesta temporada: Chase Young.

O Saints encontrou em Chase Young talvez sua maior arma defensiva neste início de temporada. São 3,5 sacks em três jogos, exatamente metade dos sacks registrados por toda a defesa de New Orleans, mesmo enfrentando boas linhas ofensivas.

A ameaça tem nome: Bijan Robinson

Se existe um jogador que pode determinar o roteiro dessa partida, ele se chama Bijan Robinson. O running back dos Falcons lidera a NFL em jardas totais de scrimmage e vem sendo o centro do ataque de Atlanta.

Quando Bijan funciona, os Falcons conseguem controlar o jogo e manter Michael Penix confortável. Mas, se New Orleans conseguir criar problemas para o jogo terrestre e forçar Atlanta a abandonar, mesmo que parcialmente, o jogo terrestre, a situação muda, e Penix por mais tempo com a bola nas mãos pode dar a oportunidade para Chase Young chegar no quarterback adversário.

Apesar de todo o impacto de Robinson na NFL, ele não costuma dominar contra New Orleans. Em seis partidas contra o Saints, Bijan tem média de apenas 61 jardas terrestres e ultrapassou as 100 jardas uma única vez.

Porém, New Orleans poderá ter grandes problemas para limitar seu impacto, principalmente pela ausência de Kaden Ellis, que estará fora da partida por lesão. Outro linebacker titular, Pete Warner, também não participou de nenhum treino nesta semana e tem status questionável e é provável que também não jogue.

E o ataque do Saints sem Etienne?

Talvez o maior desafio ofensivo de New Orleans para esta partida tenha surgido justamente na semana do jogo. Travis Etienne foi colocado na injured reserve e vai perder pelo menos quatro partidas.

Até aqui, ele buscava assumir o papel de principal corredor do Saints, com 128 jardas em 30 carregadas, além de 11 recepções. Agora, porém, Kellen Moore precisa encontrar uma maneira de substituir não apenas a produção de Etienne, mas também a função que ele vinha exercendo dentro do ataque.

A primeira resposta deve ser uma divisão maior de responsabilidades.

Alvin Kamara volta a ter um papel mais pesado, Kendre Miller precisa aproveitar as oportunidades e C.J. Donaldson pode continuar sendo utilizado em situações mais específicas, especialmente como corredor de curta distância e proteção de passe.

Mas existe um problema: Atlanta tem uma das melhores defesas contra o jogo terrestre. Neste duelo, os Saints vão precisar de um jogo terrestre capaz de manter a defesa dos Falcons honesta, mas deixar o jogo aéreo carregar boa parte da responsabilidade.

O quarterback do New Orleans Saints, Tyler Shough (6), lança contra os Atlanta Falcons durante a primeira parte do jogo no Caesars Superdome, em Nova Orleans, domingo, 23 de novembro de 2025. (Por David Grunfeld, The Times-Picayune | NOLA.com)

E aqui está a boa notícia. Tyler Shough chega a esta partida com 917 jardas, oito touchdowns e três interceptações.

Chris Olave tem 375 jardas recebidas em três jogos, enquanto Juwan Johnson e Devaughn Vele também já ultrapassaram as 170 jardas na temporada.

Isso significa que New Orleans não precisa transformar Kamara ou Miller em um novo Etienne. Precisa fazer o ataque funcionar como um todo de forma equilibrada. Kamara pode contribuir correndo e recebendo. Miller pode ganhar espaço com mais volume, mas a ausência de Etienne diminui a margem de erro.

Para Nova Orleans, por Nova Orleans

Kellen Moore sabe que muitos jogadores desse elenco eram crianças quando aquela noite aconteceu. Por isso, nesta semana, mostrou ao time vídeos do retorno do Saints ao Superdome em 2006 para que eles entendessem o que aquela partida foi para a comunidade de Nova Orleans.

E talvez seja justamente isso que torne essa segunda-feira tão especial.

Para quem viveu aquele dia, o jogo contra Atlanta representa uma das maiores memórias da história do Saints. O início de uma era completamente diferente para a organização.

A expectativa não é repetir 2006. Mas, ao entrar em campo, a torcida espera que esses jogadores entendam o peso daquela camisa, o significado daquela noite e sintam a energia de um Superdome que estará revivendo uma das páginas mais importantes da história do Saints. E, acima de tudo, que saibam representar quem estará ali, empurrando o time por mais uma vitória.

Acompanhe mais uma partida nesta segunda-feira, às 21h15 (horário de Brasília), o único jogo previsto do New Orleans Saints no horário nobre, ao vivo na ESPN ou pelo NFL Game Pass via DAZN.

Imagem de capa: Saints’ Steve Gleason (37) goes high to block the kick of Falcons’ punter Michael Koenen (9) during first half action. / Bill Feig

Texto por Mateus Bernardes

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