PRÉ-JOGO: Saints em busca do próximo nível em Baltimore
O New Orleans Saints saiu do Ford Field no domingo passado de cabeça erguida, mesmo depois de uma derrota por 31 a 30. O time foi resiliente. Mesmo estando 21 pontos atrás no placar, voltou para a partida, anotou 30 pontos e teve a bola para vencer. O que se desenhava como um desastre virou esperança.
O problema é que, em uma liga de alto nível como a NFL, retomadas como essa nem sempre serão possíveis. E, nesse sentido, o calendário foi cruel com o início de temporada do Saints. Na semana 2, a equipe parte para mais um desafio longe do Superdome, desta vez contra a forte equipe do Ravens, que, na abertura da temporada, venceu em Indianápolis por 41 a 23.
A resposta de Tyler Shough
Para a abertura da temporada, os torcedores de New Orleans buscavam uma resposta sobre o que esperar de Tyler Shough como líder do ataque em 2026. Ele respondeu.
Talvez tenha demorado mais do que a torcida desejava. Shough começou a partida contra Detroit com duas interceptações e um fumble perdido. O retrato do desastre estava montado. Naquele momento, o quarterback tinha apenas 10 de 23 passes completados e 85 jardas.
Mas, quando finalmente encontrou ritmo, Shough transformou completamente o jogo.
Foram 410 jardas e três touchdowns, conduzindo a reação do Saints e liderando a liga em jardas passadas ao final da semana 1. Porém, o mais importante talvez não esteja em nenhuma dessas estatísticas, mas na força mental para sair do buraco e recuperar um jogo complicado jogando fora de casa.
Baltimore talvez não permita que o Saints erre tanto sem ser punido. E, caso New Orleans precise de três quartos para começar a jogar, pode ser tarde demais desta vez.
Um grande teste para o ataque
Se contra Detroit Shough enfrentou uma defesa com desfalques importantes, agora terá pela frente um grande desafio. Baltimore tem uma defesa agressiva, que busca provocar decisões rápidas e transformar qualquer erro de leitura em uma oportunidade de turnover. Na estreia, a defesa dos Ravens forçou duas perdas de posse ao adversário — uma interceptação de Roquan Smith e um fumble recuperado por Marlon Humphrey — enquanto limitou os Colts a apenas 149 jardas aéreas.
Resta saber qual ataque veremos neste domingo: o do início ou o do final do jogo em Detroit?
Mais do que nunca, New Orleans precisará de mais um jogo inspirado de Chris Olave, que teve contra Detroit o recorde de jardas recebidas de sua carreira, fechando a partida com 10 recepções para 182 jardas, incluindo uma recepção de 47 jardas. O recebedor teve participação limitada nos treinos de quinta e sexta, mas é esperado que jogue no domingo.

A batalha nas trincheiras
Talvez nenhum outro setor mereça tanta atenção quanto a linha ofensiva do Saints. O time reforçou a unidade com a adição de David Edwards, mas a estreia mostrou que ainda existe trabalho a fazer.
Na semana 1, os Lions pressionaram Tyler Shough por 27 vezes, alcançando cinco sacks e forçando o quarterback a cometer erros. Baltimore também possui uma linha defensiva capaz de criar problemas em diferentes pontos, mas o principal nome é Trey Hendrickson, nosso velho conhecido.
O ex-jogador do Saints, que chegou aos Ravens nesta temporada após alguns anos em Cincinnati, teve oito pressões contra Indianapolis, liderando a defesa dos Ravens nesse quesito na estreia da temporada regular. Porém, treinou apenas na sexta feira, de forma limitada e sua presença em campo é questionável.
Kamara é o que o jogo terrestre precisava?
O Saints terminou a partida contra Detroit com apenas 91 jardas terrestres. Travis Etienne, que chegou para assumir o jogo corrido de New Orleans, correu nove vezes para modestas 46 jardas, além de sete recepções para 32 jardas.
Mais importante do que os números, porém, foi a maneira como o jogo terrestre desapareceu durante boa parte da primeira metade. Etienne teve apenas quatro carregadas antes do intervalo.
Contra Baltimore, abandonar o jogo terrestre cedo pode ser ainda mais perigoso.
Os Saints vão contar com a volta de Alvin Kamara, poupado na abertura da temporada. O jogador treinou normalmente durante a semana. Seu retorno adiciona ainda mais versatilidade ao jogo corrido de New Orleans e pode ser uma adição importante. A expectativa ainda é de que Etienne tenha a maior parte das corridas, mas Kamara pode aparecer em situações mais específicas, inclusive recebendo passes.
O fato é que obrigar a defesa dos Ravens a respeitar a corrida e impedir que ela concentre todos os seus recursos em Shough e no jogo aéreo será fundamental. É isso que pode abrir mais espaço para explorar as bolas em profundidade.

Alguém pare Derrick Henry
A defesa de New Orleans teve sérios problemas em conter Jahmyr Gibbs na semana 1, e o problema agora é tão grande quanto. Henry começou a temporada com incríveis 144 jardas — sendo 110 antes do primeiro contato — e três touchdowns em 24 carregadas contra Indianapolis. Mas reduzir o desafio a “parar Derrick Henry” seria simplificar demais o problema.
O ataque de Baltimore, agora sob o comando do novo coordenador ofensivo Declan Doyle, mostrou-se em grande forma e Lamar Jackson teve um belo jogo: lançou para 324 jardas e dois touchdowns, além de contribuir com mais 43 jardas terrestres e outro touchdown.
Outro destaque do ataque de Baltimore, o recebedor Zay Flowers também apresentou bons números: foram cinco recepções, 150 jardas e um touchdown antes de deixar o jogo com uma lesão no posterior da coxa. A situação do jogador será analisada dia a dia, e seu status para a partida é questionável.
Baltimore também perdeu o rookie Ja’Kobi Lane, que passou por cirurgia no punho e foi colocado na lista de lesionados. Com isso, Rashod Bateman deve ser o principal nome do grupo de recebedores.
Sem Flowers, a defesa do Saints terá uma preocupação a menos, mas nada de problema resolvido. O ataque de Baltimore promete ameaçar de outras maneiras, principalmente quando consegue combinar a ameaça de Henry com a mobilidade de Lamar.
Mais que uma boa impressão
Se podemos dizer que, na semana 1, tivemos uma vitória moral, precisamos admitir que não se pode viver disso. Precisamos de mais pontos que o adversário ao final do último quarto.
A verdade é que uma derrota fora de casa contra os Lions não pode ser considerada uma surpresa no atual momento das equipes, assim como uma derrota em Baltimore. Porém, iniciar uma temporada em 0-2 significa trazer uma pressão adicional para um time que está em busca de provar seu valor.
Também é verdade que a situação na NFC Sul deixa tudo em aberto. Na semana 1, todos da divisão foram derrotados. Exatamente por isso, uma vitória em Baltimore pode ser um recado importante, mostrando que New Orleans tem o que é preciso para ganhar a divisão e voltar aos playoffs pela primeira vez desde a temporada de 2020, ainda sob o comando de Sean Payton e Drew Brees.
O próximo capítulo dessa história será neste domingo às 14h (horário de Brasília) no M&T Bank Stadium. Mais uma vez o jogo terá transmissão apenas no NFL Game Pass, pela plataforma da DAZN, com opção de transmissão em português.
Texto por Mateus Bernardes
Imagem de capa: DETROIT, MICHIGAN – SEPTEMBER 13: Tyler Shough #6 of the New Orleans Saints looks on prior to the game against the Detroit Lions at Ford Field on September 13, 2026 in Detroit, Michigan. (Photo by Mike Mulholland/Getty Images) Getty